Dor ignorada: 10,3 milhões de pessoas passam fome no Brasil

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Levantamento do IBGE mostra que metade das crianças com até 5 anos tem restrição no acesso à alimentação de qualidade no Brasil

Imagem ilustrativa./ Foto: Adobe Stock

A fome é uma das mais cruéis situações que o ser humano pode passar, e faz parte da vida de 10,3 milhões de brasileiros.

Em cinco anos, aumentou em cerca de 3 milhões o número de pessoas no país em situação de insegurança alimentar grave (fome), chegando a, pelo menos, cerca de 10,3 milhões os brasileiros nesta situação.

Dos 68,9 milhões de domicílios no Brasil, 36,7% estavam com algum grau de insegurança alimentar, atingindo 84,9 milhões de pessoas.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento foi feito entre junho de 2017 e julho de 2018 e apontou piora na alimentação das famílias brasileiras. Entram na conta somente os moradores em domicílios permanentes, ou seja, estão excluídas do levantamento as pessoas em situação de rua, o que aumenta ainda mais o rastro da fome pelo país.

O levantamento mostrou que o Brasil atingiu o menor patamar de pessoas com alimentação plena e regular, da série histórica do IBGE: apenas 63,3% dos brasileiros têm alimentação adequada e suficiente. Enquanto isso, a insegurança alimentar leve atingiu seu ponto mais elevado.

E as crianças estão entre os brasileiros mais afetados. Pelo menos metade das crianças com até cinco anos viviam em lares com algum grau de insegurança alimentar. São 6,5 milhões de crianças vivendo sob essas condições.

Em 2017 e 2018, 5,1% das crianças com menos de 5 anos e 7,3% das pessoas com idade entre 5 e 17 anos viviam em domicílios com insegurança alimentar grave.

A insegurança alimentar aparece de forma desigual entre as regiões. O Norte e o Nordeste ficaram abaixo da média nacional: menos da metade de seus domicílios tinham segurança alimentar. Isso significa que menos da metade dos moradores do Norte e do Nordeste do Brasil conseguem se alimentar adequadamente e com frequência.

Outro dado que chama atenção é que mais da metade dos domicílios com insegurança alimentar grave eram chefiados por mulheres.

Fonte: IBGE