No Brasil, estudantes negras são mais afetadas pela pobreza menstrual

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Relatório da ONG Girl UP revelou que a maioria das mulheres brasileiras que menstruam e não têm acesso ao saneamento básico estão em idade escolar, o que pode levar à evasão durante o período menstrual

Foto: Divulgação

Por: Mariana Lima

De acordo com um relatório da ONG Girl UP, movimento global em prol dos direitos femininos, cerca de 30 milhões de mulheres menstruam atualmente no Brasil. A pesquisa destaca o impacto da falta de acesso a produtos de higiene básica na evasão escolar, prejudicando a carreira estudantil de milhares de jovens.

O relatório aponta que, em um país onde 1,5 milhão de brasileiras vivem em residências sem banheiros, a escola poderia ser um local para que elas tivessem acesso ao saneamento básico e a produtos de higiene e menstruais.

Contudo, a realidade é diferente: segundo a Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar (PENSE), realizada pelo IGBE em 2015, aproximadamente 231 mil meninas frequentam escolas que não têm banheiro em condições de uso. Deste total, 65% são negras.

A organização questiona: “elas ficam quase 5 dias menstruadas todo mês. Se elas continuarem na escola por 5 anos, a partir da primeira menstruação, quantas aulas elas perderão?”.

Outro dado apresentado pelo relatório é que 11% das brasileiras com mais de 80 anos não possuem acesso à rede geral de distribuição de água.

Vale ressaltar que a porcentagem aumenta para 17% entre meninas de até 19 anos. Desta forma, a maior parte das mulheres que não têm acesso ao saneamento básico estão em idade escolar, uma vez que a primeira menstruação acontece, em média, aos 13 anos.

Acre, Maranhão, Pará e Roraima são os estados brasileiros que menos oferecem escolas com banheiros em condições apropriadas de higiene. Entre os itens em falta estão: pias, sabonetes e papel higiênico.

De acordo com a PENSE, o estado de São Paulo e o Distrito Federal são os únicos em que 100% dos alunos desfrutam de sanitários em perfeito estado de uso.

Além do relatório, a ONG desenvolveu uma plataforma online com informações sobre assunto, a Livre para Menstruar.

Uma rede de jovens que militam pela organização em prol da igualdade menstrual também articulam em gabinetes eleitorais de todo o país alianças para que o projeto de lei ‘Menstruação Sem Tabu’ seja aprovado pelo Brasil.

Apenas no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, o PL já avançou e a distribuição de absorventes íntimos gratuitos começou a ser colocada em prática.

Segundo estimativas do relatório, as mulheres gastam entre R$ 3 mil a R$ 9 mil ao longo da vida com absorventes, tornando o produto inacessível para muitas brasileiras.

Fonte: Universa UOL