A importância da cooperação internacional em tempos desafiadores: aprendizados do Global Philanthropy Forum 2025
Cultura de Doação
Por Daniel Grynberg
Em um contexto global cada vez mais desafiador, a colaboração entre sociedade civil, financiadores e governos tem se mostrado essencial para enfrentar questões urgentes como mudanças climáticas, mobilidade humana e o fortalecimento de comunidades. Foi com essa perspectiva que participei do Global Philanthropy Forum 2025, realizado em São Francisco (EUA) — um espaço de trocas valiosas sobre como ampliar o impacto de iniciativas sociais, especialmente junto às populações em maior situação de vulnerabilidade.
O evento contou com a participação de lideranças do setor filantrópico de todo o mundo, e a presença da delegação brasileira se destacou por reunir representantes de fundações, institutos, organizações da sociedade civil e do setor privado, todos atuando em prol da democracia e da busca por soluções para desafios sociais e ambientais. Esse engajamento coletivo mostra como a filantropia tem influenciado cada vez mais nas decisões políticas. Demandando e auxiliando em mudanças concretas que fortalecem iniciativas relacionadas à defesa de direitos em territórios com papel fundamental para regulação do clima global, povoados por comunidades tradicionais que por dependerem da floresta para sua sobrevivência, ajudam na preservação da biodiversidade.
Na contramão desta tendência de cooperação e alerta globais para questões migratórias e climáticas, temos o cenário político dos Estados Unidos. Financiamentos para ajuda humanitária internacional têm sido fortemente impactados, com cortes nos repasses e uma mudança de prioridades do governo. Isso enfatizou a importância e mudou a estratégia da filantropia institucional e das organizações da sociedade civil americanas. Agora, as redes de cooperação internacionais precisam ser também revigoradas, para seguir protegendo as populações mais expostas a situações de emergência.
A filantropia americana está tão enraizada na sociedade que se tornou parte da identidade nacional daquele país. Claro que, apesar de toda contribuição e aportes privados, nada substitui o papel do governo. Mas eles são essenciais para apoiar causas negligenciadas e que podem fomentar o desenvolvimento de setores, regiões e nações inteiras no longo prazo. No Brasil, ainda estamos avançando nesse processo, o desafio, no entanto, continua: precisamos naturalizar a filantropia como uma parte importante da estratégia de transformação social, e não somente como algo pontual ou caritativo.
Um ponto muito discutido no evento foi a necessidade de mudarmos como as organizações são financiadas. A lógica que deve vigorar é a de accountability, ou seja, de responsabilidade e confiança mútua. Isso porque, quem está na linha de frente e dialoga diretamente com as comunidades enfrenta desafios no território, que se contrapõe à rigidez no formato de concessão de recursos. Autonomia, mais previsibilidade e reconhecimento pela sua expertise são fundamentais para que os resultados dos projetos sejam positivos e perenes.
Quando apoiamos e conduzimos nossas iniciativas, não estamos apenas transferindo dinheiro, mas também compartilhando experiência, responsabilidade e decisões com quem realmente entende os problemas e sabe o que é necessário para resolvê-los.
*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor
Sobre o autor: Daniel Grynberg é diretor executivo do Grupo +Unidos, bacharel em Administração de Empresas pelo Insper e mestrado em Gestão Pública pelo Insper.
