Convivência escolar é aliada da saúde mental de adolescentes, aponta especialista

Educação
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Desenvolvimento de habilidades sociais ajuda a reduzir conflitos, prevenir isolamento e melhorar o desempenho escolar, segundo educadores

Convivência escolar é aliada da saúde mental de adolescentes, aponta especialista
Imagem: Canva

A relação entre convivência escolar e saúde mental tem ganhado destaque nos últimos anos diante do aumento de casos de ansiedade e depressão entre jovens. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil lidera os índices de transtornos de ansiedade na América Latina, e cerca de 10% dos adolescentes apresentam sinais de depressão.

Para enfrentar esse cenário, especialistas defendem que as escolas assumam papel ativo no fortalecimento de habilidades sociais.

Em nota à imprensa, Wagner Venceslau Dias, diretor pedagógico do Colégio Leonardo da Vinci, explica que essas práticas precisam ser incorporadas à rotina pedagógica.

“Dinâmicas em grupo, rodas de conversas, mediação de conflitos e projetos de integração entre turmas são atividades que estimulam competências como empatia, comunicação assertiva, cooperação e autocontrole, e ajudam os alunos a lidar com desafios emocionais e relacionais dentro e fora da escola”, ressalta.

Pesquisas reforçam a relevância desse investimento. Um estudo publicado na Revista Brasileira de Enfermagem (Scielo) mostrou que intervenções voltadas ao desenvolvimento de habilidades sociais reduzem significativamente os casos de bullying entre colegas.

Prevenção contra isolamento e exclusão

Segundo o diretor, além de diminuir comportamentos agressivos, o fortalecimento dessas competências atua como fator protetor contra o isolamento. Jovens que desenvolvem empatia e boa comunicação criam vínculos mais sólidos, sentem-se acolhidos e apresentam melhor rendimento escolar.

“Isso reforça o papel das escolas como espaços de promoção de saúde mental, e não apenas de transmissão de conhecimento. Fortalecer habilidades de convivência não significa só diminuir conflitos, é também uma porta de entrada para formar indivíduos mais resilientes, conscientes de si mesmos e capazes de construir relações saudáveis. Essa é uma base essencial para o desempenho acadêmico e para a vida em sociedade”, completa Dias.

Outro ponto destacado pelo especialista é a parceria entre instituições de ensino e famílias. Ao oferecer suporte pedagógico e psicológico, a escola amplia o alcance da prevenção, fortalecendo a rede de apoio aos adolescentes.

“No Colégio Leonardo da Vinci, apostamos na continuidade dessas práticas como parte da formação integral. É e sempre será importante trazermos esse tema para debate, principalmente em época de campanha sobre saúde mental. Temos que auxiliar os nossos jovens a se prepararem para esses desafios emocionais e sociais em um mundo complexo, estimulando uma cultura de paz e respeito mútuo”, finaliza.

Programa Brasil ODS

O programa Brasil ODS, iniciativa do Observatório do Terceiro Setor (OTS), tem dedicado episódios à saúde mental na adolescência, incluindo discussões sobre autolesão e seus vínculos com ansiedade, depressão e isolamento social.

No episódio “Saúde Mental na Adolescência – Autolesão” o programa recebeu Luiza Cesar Riani Costa, psicóloga pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), mestre em Ciências da Saúde pelo programa de pós-graduação em Enfermagem da UFSCar, e Milena Del Santo Rosa, psicóloga hospitalar do Sabará Hospital Infantil para discutir o caso.

O Brasil ODS é apresentado por Joel Scala, que conta com o apoio da Fapesp — Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Ele vai ao ar às quintas-feiras no portal do OTS e às 16h na Rádio Brasil de Fato.