Curso pioneiro e gratuito forma mulheres para atuação na construção civil em São Paulo

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Bia Kern, fundadora do Instituto Mulher em Construção (IMEC). Foto: Divulgação/IMEC

O número de mulheres trabalhando na construção civil vem crescendo significativamente nos últimos anos. Entre 2006 e 2023, o número de contratadas através do regime CLT no ramo da Construção Civil aumentou em 184%, de acordo com o Painel da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). No entanto, os canteiros de obras nem sempre estão preparados para recebê-las. Para contribuir com a mudança efetiva dessa realidade, o Instituto Cury lançou o projeto ConstruDivas, em parceria com o Instituto Mulher em Construção (IMEC), iniciativa pioneira que transpõe os limites da formação profissional, direcionando as alunas ao processo de recrutamento e seleção, visando à inserção no mercado de trabalho, mas também preparando o ambiente profissional para a chegada na Cury Construtora, principal mantenedora do instituto.

No processo de idealização da ação, a equipe do instituto trabalhou em conjunto com diversas áreas da construtora como, por exemplo, Engenharia e Recursos Humanos, para entender em que etapas da obra mais mulheres poderiam ser alocadas e no desempenho de quais funções, considerando suas habilidades inatas. Após diversas reuniões, foi definido que as alunas seriam desenvolvidas para atuação nas funções de check-list de obra (avaliação de uma série de detalhes antes da vistoria do cliente), meia oficial hidráulica e meia oficial elétrica. Em contrapartida, os pré-requisitos levantados pelo Instituto Cury incluíram a necessidade de adaptações estruturais, como a construção de banheiros e vestiários femininos; a preparação dos trabalhadores, com palestras abordando temas relevantes como inclusão feminina, diversidade, estereótipos e conscientização; letramento plural; e mentoria, com foco na cultura inclusiva, voltado para as lideranças.

Essa preparação do espaço visa assegurar a inclusão adequada das profissionais em um ambiente majoritariamente composto por homens, como é o caso da construção civil. O objetivo é promover geração de renda e formação profissional, prioritariamente, para mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica para que elas tenham poder de escolha e possam exercer uma nova profissão, seja no mercado formal ou empreendendo.

“O grande diferencial do projeto é que ele vai para além da formação; faremos o monitoramento do impacto social da iniciativa pelo período de um ano após a finalização do curso, acompanhando aspectos como aumento da renda, empregabilidade, melhora da autoestima, crescimento educacional e melhoria nas habitações. Nossa intenção é provocar uma mudança sistêmica e com potencial de replicabilidade. Acredito que o terceiro setor é um importante aliado para a construção e implementação de iniciativas conectadas à estratégia ESG do negócio, visando um impacto positivo 360”, explica Luciana Kamimura, gerente executiva do Instituto Cury.

A primeira turma do curso já está em andamento, com aulas práticas e teóricas, totalizando mais de 160 horas, divididas nos módulos de: pintura e reparo de parede, hidráulico, elétrica e assentamento de piso. “As mulheres já são uma realidade da nossa equipe de obra e pretendemos que a cada dia a representatividade seja mais relevante abrangendo mais atividades”, comenta Paulo Curi, vice-presidente de engenharia da Cury Construtora.