Horta piloto Cultivando do Jardim Florence será inspiração para projetos de agricultura urbana em outras regiões de Campinas

ONGs em Ação
Compartilhar
WhatsApp-Image-2025-05-30-at-11.05.24
Representantes da Fundação FEAC, prefeitura de Campinas e do Pé de Feijão com os agricultores voluntários. Crédito: Ricardo Lima.

Em um terreno ocioso de 4 mil m², localizado no Jardim Florence, nasceu uma horta que atualmente conta com uma variedade de 160 plantas cultivadas, entre hortaliças, árvores frutíferas, temperos, medicinais e Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), todas orgânicas, em 1.550 m² de área produtiva. Esses números são sustentados por um grupo de 15 agricultores urbanos que não só se dedicam ao prazer de plantar, cuidar e colher, como também replicam seus conhecimentos e ajudam a difundir a ideia de que manter uma alimentação saudável é possível e viável. Mais do que isso: cuidar da horta também favorece a saúde mental, ajuda o meio ambiente e estimula o convívio social.

O projeto da Horta Piloto Cultivando no Jardim Florence, que nasceu em dezembro de 2022, acaba de ganhar uma nova dimensão, com a assinatura do contrato de renovação do acordo de cooperação entre a Fundação FEAC e a Prefeitura Municipal de Campinas, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e de Assistência Social (SMDAS). Essa formalização representa o fortalecimento da agricultura urbana como instrumento de inclusão social, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável no âmbito do Programa Campinas Solidária e Sustentável, política pública criada em 2021. Em cerimônia que aconteceu na terça-feira, 27, representantes do poder público, do terceiro setor e da sociedade civil estiveram presentes e destacaram a importância da continuidade de um projeto que a cada dia rende mais frutos. Esse projeto se conecta aos focos de atuação da Fundação FEAC contribuindo para o acesso às políticas públicas, aos equipamentos urbanos e comunitários e convivência familiar e comunitária saudável.

A agricultora local Maria dos Anjos Pinheiro Ximenes, que participa da iniciativa desde o início, afirmou que tudo o que se vê pelos canteiros, vasos, estufa e área de roça daquele terreno é fruto de muito comprometimento, parceria, companheirismo e trabalho. “A nossa união, enquanto comunidade de bairro, é muito importante. E hoje, enquanto agricultores, sentimos uma enorme satisfação por ter em nossas mesas alimentos saudáveis que nós mesmos plantamos e colhemos”.

O engenheiro agrônomo Luiz Fernando Vogel, da Coordenadoria Setorial do Verde da Secretaria Municipal do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade (SECLIMAS), lembrou que o esforço local visto ali está diretamente ligado a um desafio global urgente, que são as mudanças climáticas. “Estudos científicos recentes demonstram que as variações de temperatura e os eventos extremos estão impactando diretamente na produção de hortaliças, tanto na quantidade, quanto na qualidade, e apontam para a vulnerabilidade dessas culturas, o que reforça a importância de iniciativas como essa de produção de alimentos de forma sustentável com a recuperação de áreas”, ressaltou.

A cerimônia de celebração do projeto Cultivando marcou o início da expansão da iniciativa para os Amarais e o Jardim Novo Flamboyant. Na ocasião, também foi lançado um curso de qualificação para agricultores urbanos, realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social, por meio do DSAN. O curso será ministrado pelo negócio de impacto Pé de Feijão, com aulas mensais no Jardim Florence, entre junho de 2025 e fevereiro de 2026, abordando temas como segurança alimentar, sustentabilidade e organização comunitária. A formação é voltada a agricultores cadastrados no programa Campinas Solidária Sustentável.

Segundo José Roberto Dalbem, diretor executivo da Fundação FEAC, a expansão consolida a horta do Jardim Florence como polo de formação e multiplicação de boas práticas, reforçando o compromisso da Fundação com o desenvolvimento social a partir da escuta e valorização dos territórios. “Ao ver os resultados já gerados por essa horta, enxergamos a força do trabalho em conjunto, da formação de qualidade com apoio técnico e do envolvimento da comunidade visando o desenvolvimento territorial” concluiu.