Incêndios na Amazônia provocam pior degradação da qualidade do ar desta década

Políticas Públicas
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Relatório da OMM alerta para riscos globais; partículas nocivas afetaram até cidades distantes e exigem ação conjunta contra mudanças climáticas e poluição

Incêndios na Amazônia em 2024 provocam pior degradação da qualidade do ar da década
Foto: Nilmar Lage / Greenpeace

Os incêndios florestais registrados na Amazônia em 2024 causaram o pior impacto sobre a qualidade do ar da última década. As queimadas emitiram concentrações recordes de partículas nocivas, deteriorando a atmosfera e comprometendo a saúde de milhões de pessoas, inclusive em regiões afastadas dos focos de fogo. A constatação é da Organização Meteorológica Mundial (OMM), que divulgou um relatório sobre as tendências globais da poluição atmosférica.

O estudo da OMM destaca o papel dos aerossóis, minúsculas partículas transportadas pelo ar, na regulação da temperatura do planeta. Dependendo de sua composição, eles podem aquecer ou resfriar a atmosfera. Enquanto partículas escuras, como o carbono preto e marrom, intensificam o aquecimento e aceleram o derretimento de geleiras, partículas mais claras, como os sulfatos, refletem a radiação solar e geram resfriamento temporário, mas trazem efeitos nocivos ao se depositarem em forma de chuva ácida ou neve.

Entre as décadas de 1950 e 1980, os níveis de aerossóis aumentaram em todo o mundo. Esforços internacionais reduziram a emissão em regiões como América do Norte, Europa e, mais tarde, Leste Asiático. No entanto, os índices seguem em crescimento em áreas como América do Sul, Sul da Ásia e latitudes do norte, em grande parte devido ao avanço dos incêndios florestais.

Mudanças climáticas e poluição não respeitam fronteiras

A vice-secretária-geral da OMM, Ko Barrett, destacou que não é possível separar a crise climática da poluição do ar.

“Os impactos climáticos e a poluição do ar não respeitam fronteiras nacionais, como exemplificado pelo calor intenso e pela seca que alimentam incêndios florestais, piorando a qualidade do ar para milhões de pessoas”, afirmou em nota.

A OMM ressalta que a poluição atmosférica é responsável por mais de 4,5 milhões de mortes prematuras por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), gerando custos ambientais e econômicos elevados.

O Boletim de Qualidade do Ar e Clima foi lançado em 7 de setembro, no Dia Internacional do Ar Limpo para Céus Azuis, e defende maior colaboração internacional em monitoramento, previsão e gestão de riscos. A agência reforça que só a integração entre políticas climáticas e ambientais poderá conter o agravamento da crise.

Para acessar o relatório completo basta clicar aqui!

Reflexos no Brasil e conexão com os ODS

A crise provocada pelos incêndios amazônicos se conecta diretamente às discussões do Programa Brasil ODS, que trata dos impactos das mudanças climáticas em diferentes áreas, incluindo a educação. Como apontado pelo episódio A Influência das Mudanças Climáticas na Educação no Brasil, os efeitos ambientais extremos já comprometem calendários escolares e evidenciam como os desastres climáticos afetam a vida em múltiplas dimensões.

Ouça o episódio completo do Programa Brasil ODS.