Livro mostra a verdade sobre as condições de leitura nas unidades prisionais

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Livro “Leitura e cárcere – (entre) linhas e grades, o leitor preso e a remição de pena”, de Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset mostra a verdade sobre as condições de leitura nas unidades prisionais. Lançamento será no dia 7 de agosto, na Universidade do Oeste de Santa Catarina.

Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset, autora do livro “Leitura e cárcere – (entre) linhas e grades, o leitor preso e a remição de pena”, durante entrevista com detento | Foto: Divulgação

Livro “Leitura e cárcere – (entre) linhas e grades, o leitor preso e a remição de pena”, de Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset mostra a verdade sobre as condições de leitura nas unidades prisionais.

A obra conduz à reflexão sobre desigualdade social, funcionamento dos sistemas de segurança e de justiça, condições dos espaços de privação de liberdade e fins e justificativas da pena. Conta a impactante experiência da autora durante entrevistas com presos em projeto de extensão de leitura que coordenou durante cinco no curso de Direito da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc Xanxerê).

Resultado do trabalho de doutorado de Rossaly em Linguística, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o livro lança luz a um problema latente da Justiça brasileira:  o país ocupa o terceiro lugar, não honroso, no ranking dos países que mais encarceram no mundo.  A Lei de Execução Penal (LEP), que completa 40 anos em 2024, dispõe sobre a remição de parte do tempo de execução da pena por estudo ou trabalho.  “A remição de pena por meio de leitura foi introduzida, em 2011, no contexto do sistema penal porque não havia nem trabalho nem escola para os presos, e a cada livro lido, quatro dias a menos atrás das grades. A função da leitura, no entanto, não foi por benesse, havia um vazio já no sistema que devia ser tratado. A possibilidade de diminuir dias de pena de condenados pela Justiça por meio da leitura não demandava investir financeiramente no sistema prisional, bastava dar livros aos presos”, diz a autora, que é facilitadora de Justiça Restaurativa.

Realizada durante cinco anos no presídio de Xanxerê, a pesquisa constatou que há mínimas condições de leitura no cárcere.  Rossaly conta no livro “Leitura e cárcere” uma de suas entrevistas mais marcantes: “Um preso foi baleado na perna pelo próprio pai, aos nove anos, ao tentar defender a mãe das violências dele. Este preso relatou que ficava tão interessado na narrativa da leitura que, quando as luzes eram apagadas no presídio, às 22h, ele podia ficar com a TV ligada até meia-noite e era o momento em que lia com a luz tênue da televisão”.

“Leitura e cárcere” mostra o envolvimento de presos com a leitura, inclusive casos dos que passaram a indicar livros aos filhos e criaram o hábito de ler.  “Mas também houve presos que diziam que gostavam sim de leitura, regidos por um imaginário de que ler é bom e transforma. Só que, por outra via, eram capturados pelo dizer do inconsciente e acabavam afirmando que liam mesmo só para sair antes da prisão, interpelados pelo jogo da língua na história, o simbólico significante, que constitui a ordem do discurso”, completa Rossaly.

O lançamento do livro será aberto ao público no dia 7 de agosto, no auditório do bloco E, da Unoesc Xanxerê, Santa Catarina.