Em 14 anos, 860 estrangeiros foram resgatados do trabalho escravo

Compartilhar

Dados do Ministério da Economia revelam que a maior parte dos estrangeiros resgatados era boliviana. A cidade de São Paulo concentra a maior parte dos casos, com 377 resgates 

Em 14 anos, 860 estrangeiros foram resgatados de trabalho escravo
Foto: Rio Lecatompessy (Unsplasj) | Imagem ilustrativa

Por: Mariana Lima

Entre 2006 e 2020, pelo menos 860 estrangeiros foram resgatados de trabalho escravo no Brasil. No total, 46% deles atuavam no setor de confecção de roupas. Os anos de 2013 e 2014 concentram a maior quantidade de resgates, 392. Ou seja, quase metade do total.

Os dados são da Fiquem Sabendo, que teve acesso a eles por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), com pedido feito ao Ministério da Economia.

Com base na análise dos dados, pessoas de 11 países chegaram ao Brasil com a promessa de uma vida nova e emprego digno, mas o que receberam foi uma rotina de trabalhos forçados, com remuneração escassa e condições desumanas.

Bolivianos foram os estrangeiros que mais vivenciaram esse tipo de situação. Ao menos 405 trabalhadores da Bolívia estavam em situação análoga à escravidão no Brasil. Em seguida, aparecem paraguaios (169) e haitianos (141).

Os estrangeiros foram resgatados em 12 unidades da federação, nas cinco regiões do Brasil. Seis em cada 10 pessoas escravizadas estavam no estado de São Paulo.

A capital paulista foi a cidade com o maior número de resgates: 377. Em seguida, vem o município de Conceição do Mato Dentro, no interior de Minas Gerais, onde 100 haitianos trabalhavam em condições desumanas na construção civil.

Em 2 de julho, a Organização das Nações Unidas divulgou um relatório que aponta que mulheres, crianças e LGBTQI+ estão mais vulneráveis ao tráfico de pessoas no Brasil. A pesquisa também destaca a situação de vulnerabilidade de imigrantes venezuelanos no país.

Segundo os dados do Ministério da Economia, pelo menos 31 pessoas da Venezuela foram submetidas a trabalho escravo no território brasileiro, sendo que 17 delas foram resgatadas em Roraima.

Até maio deste ano era possível acessar os relatórios de fiscalização de trabalho análogo à escravidão no Brasil, mas o governo passou a negar acesso aos documentos.

Fonte: Fiquem Sabendo


Compartilhar