Guia da Iniciativa PIPA propõe novas estratégias para filantropia nas periferias
Em evento, a Iniciativa PIPA lançou o Guia das Periferias para Doadores, que destaca uma nova visão de filantropia focada na equidade e no fortalecimento das organizações periféricas

Por Redação
Em tarde de debates sobre uma nova visão de filantropia, a Iniciativa PIPA lançou a ferramenta estratégica de consulta destinada aos doadores no Brasil, o Guia das Periferias para Doadores. A partir de análises e ações que posicionam as organizações de periferia na centralidade do ecossistema de doação, o guia propõe inverter a lógica que se presume às organizações periféricas.
“O guia das periferias é uma ferramenta que está linkada com a pesquisa ‘Periferias e Filantropia’ realizada no ano de 2023 que conta com um diagnóstico do setor com o Investimento Social Privado. Esse guia traz uma consolidação do que foi feito na pesquisa”, afirmou Gelson Henrique, coordenador executivo da Iniciativa PIPA.
Para baixar o guia, acesse o site.
O guia enfatiza que as organizações doadoras têm um papel crucial na promoção da pluralidade nas equipes, especialmente em relação à raça, gênero e territorialidade. Este enfoque reflete uma visão inclusiva e representativa, impulsionando mudanças estratégicas programáticas internamente, desde o planejamento até a avaliação das estratégias de grantmaking. Ao diversificar suas equipes, os doadores compreendem melhor a diversidade das comunidades que desejam apoiar, aprimoram suas capacidades de abordagem dos desafios enfrentados por organizações periféricas.
“Precisamos de uma filantropia reposicionada, baseada em equidade, transparência, fortalecimento e respeito aos territórios”, contou Nil Torres, coordenadora de pesquisa do PIPA.
Além disso, o guia defende que os doadores devem revisar suas estratégias de financiamento, priorizando o financiamento institucional para fortalecer as organizações. Muitas vezes, organizações periféricas recebem financiamento apenas para a execução de projetos específicos, com recursos insuficientes até mesmo para cobrir despesas básicas dos trabalhadores voluntários. Os doadores podem desempenhar um papel transformador ao alocar recursos de forma mais estratégica, investindo não apenas em projetos pontuais, mas também no fortalecimento das estruturas organizacionais e operacionais das entidades beneficentes.
A programação do evento contou com três painéis: “A importância dos Doadores se Engajarem na Revisão da Filantropia”, com Rodrigo Pipponzi, Fundador e Presidente do Conselho do Instituto ACP; “Como a Filantropia pode Adotar outras Estratégias para Doação no Brasil”, com Carola Matarazzo, Diretora Executiva do Movimento Bem Maior, e Marcia Woods, Assessora de Relações Estratégicas na Fundação José Luiz Egydio Setubal; Marcio Black, Diretor de Conhecimento e Advocacy no Instituto Beja e Erika Sanchez, Diretora Executiva no Instituto ACP.
Durante o primeiro painel, foi anunciado também o lançamento do Fundo de Desenvolvimento Institucional para Organizações Periféricas, batizado de “Fundo Pop”, uma parceria do Instituto ACP e a Iniciativa PIPA. O objetivo do Fundo será centrado no fortalecimento institucional de 10 ONGs espalhadas pelas 5 regiões do Brasil, com trilhas de formação e apoio financeiro.
“O recurso precisa ser para além das atividades prestadas pela ONG, mas também deve ser o investimento da força de trabalho daqueles que fazem estas ações”, afirmou Nil Torres.
O evento está ligado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda ONU, as discussões e iniciativas apresentadas no evento estão alinhadas ao ODS 1 (Erradicação da Pobreza), ao abordar estratégias para fortalecer organizações que atuam em comunidades periféricas; ODS 5 (Igualdade de Gênero), ao promover a diversidade nas equipes de doadores, e o ODS 10 (Redução das Desigualdades), ao destacar a necessidade de um reposicionamento da filantropia com foco na equidade e respeito aos territórios. Além disso, o lançamento do Fundo Pop, destinado ao fortalecimento institucional de ONGs em diferentes regiões do Brasil, contribui para o ODS 17 (Parcerias e Meios de Implementação), ao promover colaborações entre instituições para impulsionar o desenvolvimento sustentável e inclusivo.
