Instituto C&A realiza ação voluntária no Quilombo Ivaporunduva

Voluntariado
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Foram montados workshops para as mulheres sobre autoestima, beleza feminina e também com os jovens quilombolas. Um pedido do quilombo foi a pintura da escola e do alojamento, que foi realizada pelos voluntários do Instituto C&A

Voluntários que participaram das ações promovidas pelo Instituto C&A no Quilombo Ivaporunduva- Eldorado-SP/ Créditos: Foto JRG Comunicação

 

Instituto C&A, o pilar social da C&A Brasil, promove impacto social há 30 anos nos territórios em que a empresa está presente e, desde 2015, busca fortalecer comunidades por meio da moda. Dentre os projetos, desenvolve ações voluntárias, projetos de fomento ao empreendedorismo e a empregabilidade no setor. O Programa de Voluntariado existe desde 1991 e conecta colaboradores da C&A Brasil a ações voluntárias de todos os estados do país.

Por meio das ações, os voluntários compartilham tempo, conhecimento e habilidades com mais de 100 organizações sociais, coletivos, cooperativas, redes e empreendedores que fazem da moda uma ferramenta de transformação nas suas comunidades.

Cada colaborador tem pelo menos 3 dias disponibilizados pela empresa para atuação voluntária no ano e as atividades podem ser presenciais ou online, técnicas ou “mão na massa” e também podem acontecer de forma pontual ou contínua, com apoio e acompanhamento do Instituto C&A.

O Observatório acompanhou uma dessas ações que foi realizada no Quilombo Ivaporunduva, localizado no Município de Eldorado São Paulo, na SP 165, Eldorado/Iporanga, às margens do Rio Ribeira de Iguape. Composta por 80 famílias, a Comunidade de Ivaporunduva tem uma população de 308 pessoas, sendo 80 crianças, 195 adultos e 33 idosos.

A sobrevivência dessas famílias é conseguida com o cultivo tradicional de roça: arroz, mandioca, milho, feijão, verduras e legumes para uso próprio. Para o consumo e geração de renda produzem banana orgânica e artesanato, recebem grupos escolares para turismo, além de algumas pessoas que são funcionárias da prefeitura e aposentadas.

Até a 4ª série do ensino fundamental, as crianças estudam na escola municipal da comunidade. Representantes do Instituto estiveram anteriormente no Quilombo para ouvir as necessidades mais urgentes dos quilombolas e assim montar o plano de ação dos voluntários.

Foram montados workshops para as mulheres sobre autoestima e beleza feminina e também com os jovens quilombolas. Um pedido do quilombo foi à pintura da escola e do alojamento do Quilombo. A pintura foi auxiliada pelo projeto Matéria Rima, desde 2013 no município de Diadema, região metropolitana de São Paulo (SP), que tem por objetivo ressignificar as escolas por meio da cultura hip hop (rima, graffiti, discotecagem e danças urbanas), transformando-a num ambiente alegre e lúdico.

Vitória Barreto, Analista de comunicação do Instituto C&A, com moradores do Quilombo | Foto: JRG Comunicação

Os voluntários vieram de vários estados do norte e nordeste do país; eles foram premiados com a viagem e a estadia no Quilombo por se destacarem em outras ações voluntárias.

Gabi Santiago, analista de Voluntariado do Instituto C&A, responsável pelos voluntários na ação do Quilombo, está a 7 anos no Instituto, mas antes já era conhecida como “menina do voluntário”.

“Eu me apaixonei pelo voluntariado quando fui convidada para ir a uma organização social que cuida de crianças. A partir daí, nunca mais parei de ser voluntária, foram 10 anos antes de entrar no Instituto”, orgulha-se Gabriela.

A jovem explica que desde 2015 existe o prêmio voluntariado, uma competição entre distritos onde existem lojas C&A e que fazem ações voluntárias em suas regiões e doações de peças para organizações sociais. Nas lojas que mais se destacaram, os funcionários escolhidos foram premiados com a viagem para conhecer o Quilombo. Neste ano, ao contrário do ano anterior, voluntários do norte e nordeste vieram para o sudeste.

Voluntários do Instituto C&A pintando o Quilombo Ivaporunduva | Foto: JRG Comunicação

“Sempre chamamos pessoas diferentes para que todos possam participar e engajar mais funcionários para o voluntariado. As pessoas descobrem como é prazeroso ajudar o próximo, pintar uma parede, conversar, ouvir; como você pode ajudar sem precisar dar dinheiro”, diz Gabriela.

O Instituto levou 28 funcionários, sendo 14 gerentes que quando voltarem vão engajar seus funcionários, fazendo uma corrente do bem. O que mais se destaca no trabalho do Instituto é seu potencial de incentivar e realizar a prática do voluntariado a todos funcionários das lojas C&A.

Ações como do Instituto C&A impulsionam o índice de solidariedade no país. A Pesquisa Voluntariado no Brasil mostrou que 56% da população adulta diz fazer ou já ter feito alguma atividade voluntária na vida. Em 2011, esse número representava 25% da população e, em 2001, apenas 18%.

Voluntários pintando a escola primária do Quilombo Ivaporunduva | Foto: JRG Comunicação

Álef Reis, voluntária há 6 anos, é líder formadora em Macapá-AP, função responsável pelas estratégias e ações voluntárias da loja.  Ela conta que desde pequena sempre gostou de ações voluntárias. Ao receber o convite para conhecer o Quilombo, conta como ficou feliz.

“Procurei informações na internet, mas são poucas! Fiquei impactada com o relato do senhor quilombola falando que se eles não estão na escola estudando, mas o IBGE fala que a gente é maioria, onde estamos? Isso me impactou muito.”

Álef participou de várias ações no Quilombo como a pintura da escola primária e o workshop para a autoestima da mulher quilombola; no encerramento ela e outras voluntárias maquiaram as mulheres. As mulheres quilombolas também receberam um kit para cuidados de beleza, ficando nítica a alegria e a importância do workshop para as participantes.

Jaynan Aranda, responsável pelo programa de empregabilidade do Instituto, participou de várias ações no Quilombo, entre elas o Workshop para os quilombolas conseguirem vender melhor seus artesanatos. O workshop deu informações importantes sobre preço, o produto e qual a melhor forma de coloca-los em exposição. Vários voluntários experientes na área deram dicas para os quilombolas que adoraram participar e comentaram a importância das informações.

“A oportunidade de estar em um Quilombo sendo uma pessoa negra, me atravessa em vários lugares, ter esse contato com a comunidade, que pensa no seu bem estar, em oportunidades de trabalho para as pessoas que vivem no quilombo, o cuidado de manter a cultura, o passado, é uma experiência gigantesca”, diz Jaynan.

Voluntária e moradora do Quilombo depois do workshop de artesanatos | Foto: JRG Comunicação

A coordenadora e conselheira do Quilombo Neire Alves da Silva, conta a importância da ação voluntária no Quilombo que segundo ela foi além das expectativas. “Esse trabalho vem melhorar muito a comunidade, esta muita além do que a gente esperava! A pintura vai ajudar ainda mais a atrair as pessoas, passar bem estar. As crianças vão ficar muito felizes com a escola pintada. Todos da comunidade estão gostando muito”, fala Neire

Neire conta as dificuldades que o Quilombo passava desde a sua infância. “A gente tinha muito medo da barragem, não tinha ponte, para estudar precisava atravessar o rio de canoa. Quando chovia não tinham condições de estudar, a gente faltava uma semana na escola”, lamenta Neire.

Neire conta que os quilombolas eram direcionadas a casar e ter filhos muito cedo para poderem trabalhar no serviço de roça. Com os anos essa realidade foi mudando; para sua filha, Neire quer uma realidade totalmente diferente.

“Quero que ela continue valorizando o Quilombo e não perca a raiz; que ela estude, que as coisas melhorem aqui para ela nunca precisar sair, pois aqui a gente tem tudo, o sossego e a tranquilidade que nunca vamos encontrar na cidade”. E quanto ao seu maior sonho, Neire é simples e direta: “ser feliz!”

O Instituto C&A realiza diversas ações voluntárias durante o ano todo, para saber mais acesse o site clicando aqui.

 

 


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