Médico em Manaus chora ao relatar UTIs lotadas e mortes por Covid-19

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“Acabei de chegar de mais de 12 horas de plantão, sem comer, sem dormir há mais ou menos três ou quatro dias, dormindo ali uma ou duas horas por noite e eu estou cansado. Não da vida de médico, mas eu estou cansado de ver tanta gente morrer”, relata o médico Filipe Shimizu

Foto: Reprodução (esq.) | Divulgação/Simeam (dir.)

O médico Filipe Shimizu é clínico geral e trabalha na linha de frente da pandemia de Covid-19, nas redes pública e privada de Manaus, no Amazonas. Filipe fez um vídeo no qual chora relatando o caos dos hospitais com o aumento de casos da Covid-19.

“Acabei de chegar de mais de 12 horas de plantão, sem comer, sem dormir há mais ou menos três ou quatro dias, dormindo ali uma ou duas horas por noite e eu estou cansado. Não da vida de médico, mas eu estou cansado de ver tanta gente morrer. De ver tanta gente implorando por socorro, implorando por um leito, e não tem. Não tem leito, não tem equipamento, às vezes não tem equipe médica suficiente”, relatou Shimizu, em vídeo publicado no Instagram.

Em cinco minutos de desabafo, o médico chega a se emocionar em alguns momentos e pede para que a população fique em casa, a fim de evitar uma piora no quadro da pandemia na cidade.

“Em questão de 48h, 72h, esgotamos os leitos da rede particular de UTI, de enfermaria, e de internação. A gente está se virando como pode para receber os pacientes com Covid. (…) Muitos, muitos casos novos. E que infelizmente estão evoluindo para uma necessidade ventilatória mais avançada”, relata Filipe.

O número de pessoas vítimas da Covid-19 não para de crescer no estado. Até a última segunda-feira (28/12), o Amazonas registrou mais de 196 mil casos da doença e mais de 5 mil mortes.

Segundo a Prefeitura de Manaus, a média de enterros aumentou de setembro para cá, com a flexibilização das medidas de isolamento: de 30 pulou para cerca de 45 sepultamentos diários.

Segundo o governo, dos 11 hospitais particulares da capital, sete estão com 100% dos leitos de UTI ocupados. Já os hospitais públicos estão com mais de 90% de taxa de ocupação de leitos.

O médico faz um desabafo no final do vídeo: “Fiquem em casa, pelo amor de Deus. Só saiam para o extremamente necessário. […] A Covid tá voltando com tudo, numa velocidade assustadora e eu tenho medo do futuro, dos reflexos da pandemia, do que ela pode gerar de resistência bacteriana, de bactérias resistentes a alguns antibióticos prescritos de maneira equivocada por colegas médicos, tomados de maneira equivocada pelas pessoas. Enfim, a única forma de combater isso é permanecer em casa, se cuidando, principalmente cuidando dos outros. Não tem mais leito, não tem mais UTI, não tem mais corredor”, concluiu emocionado.

Fonte: G1 e Informe Amazonas