Polícia do Irã é acusada de espancar jovem por não usar lenço na cabeça

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Ativistas acusaram na última quarta-feira (04/09) a polícia moral (ou polícia religiosa islâmica) do Irã de agredir uma adolescente por não vestir o hijab (lenço usado na cabeça) em uma estação de metrô de Teerã.

Imagem ilustrativa/ Foto: Adobe Stock

Ativistas acusaram na última quarta-feira (04/09) a polícia moral (ou polícia religiosa islâmica) do Irã de agredir uma adolescente por não vestir o hijab (lenço usado na cabeça) em uma estação de metrô de Teerã.

A agressão resultou em ferimentos graves que levaram a jovem a entrar em coma. No entanto, as autoridades iranianas e os pais da adolescente afirmaram que ela foi hospitalizada devido à pressão arterial baixa, levantando suspeitas de coerção por parte das autoridades.

Um grupo com sede na Noruega focado nos direitos curdos, a Organização Hengaw para os Direitos Humanos, disse que Armita Geravand, de 16 anos, foi “agredida” pela polícia moral e está em coma desde o dia 01/09. Outra rede de oposição, a IranWire, disse ter obtido informações de que Geravand foi internada no hospital com traumatismo craniano.

“Antes de sua chegada à estação de metrô, policiais femininas da moralidade se aproximaram dela e solicitaram que ela ajustasse seu hijab. Este pedido resultou em uma altercação com os policiais da moralidade que agrediram fisicamente Armita”, disse Awyer Shekhi, funcionário da Hengaw, à CNN.

“Após esse confronto, ela conseguiu entrar no metrô, mas desmaiou mais tarde”, acrescentou Shekhi.

A mãe e o pai de Geravand disseram à mídia estatal em uma entrevista que sua filha pareceu ter batido a cabeça depois de desmaiar de pressão baixa enquanto estava a caminho da escola. Os pais disseram que não havia sinais nos vídeos de que Geravand foi agredida.

Não está claro se a família de Geravand foi coagida a falar com a mídia estatal. No passado, responsáveis dos direitos humanos da ONU acusaram as autoridades iranianas de pressionarem as famílias dos manifestantes mortos a fazerem declarações de apoio à narrativa do governo.

O Irã foi cercado por protestos após o caso de Mahsa Amini, a mulher curda de 22 anos que morreu sob custódia após de ter sido presa pela polícia moral do Irã no ano passado por, segundo as autoridades, usar o seu hijab de forma inadequada.

Mais de 300 pessoas também foram mortas em protestos que duraram meses, incluindo mais de 40 crianças, informou a ONU em novembro do ano passado. A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), sediada nos EUA, estimou em janeiro o número de mortos em mais de 500, incluindo 70 crianças.

Milhares de pessoas foram presas em todo o país, afirmou a ONU em um relatório publicado em Junho, citando uma investigação divulgada no ano passado pelo seu Comitê de Direitos Humanos.

A Organização das Nações Unidas (ONU) desenvolveu uma série de objetivos ambiciosos no ano de 2015 por meio de um “Pacto Global”, que envolve os seus 193 países membros. O projeto da ONU contempla 17 ODS, ou seja, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

O cenário apresentado vai totalmente contra os  ODS5.1 – Acabar com todas as formas de discriminação contra todas as mulheres e meninas em toda parte  e 5.2 -Eliminar todas as formas de violência contra todas as mulheres emeninas nas esferas públicas e privadas, incluindo o tráfico e exploração sexual e de outros tipos.