Pesquisa revela barreiras de acesso à cultura para pessoas com deficiência em São Paulo

ONGs em Ação
Compartilhar
Img2_PesquisaAcessoeAcessibilidade-2
Recursos de acessibilidade em exposições de arte são fundamentais para democratizar o acesso à cultura.

Pesquisa revela barreiras de acesso à cultura para pessoas com deficiência em São Paulo

Estudo colheu informações de respondentes de diversos locais do estado e os dados estão disponíveis em uma publicação acessível

A Mais Diferenças, uma organização da sociedade civil dedicada à promoção dos direitos das pessoas com deficiência, lançou hoje a pesquisa intitulada “Acesso e Acessibilidade: Direito à Fruição Cultural para Pessoas com Deficiência no Estado de São Paulo”. Este estudo, realizado com o apoio do Programa de Ação Cultural (ProAC Editais) da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, investiga as barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência e apresenta recomendações para ampliar a acessibilidade cultural no estado.

Conduzida entre junho e agosto de 2024, a pesquisa coletou dados de pessoas com deficiência e seus familiares, acompanhantes ou cuidadores. Os resultados são alarmantes: 93% dos entrevistados expressaram interesse em participar de mais atividades culturais, mas 80% consideram difícil ou muito difícil acessá-las, evidenciando a urgência de melhorias na acessibilidade.

Pensar a acessibilidade de forma plena e a formação de profissionais são destaques da publicação

Os dados revelam que, apesar do forte desejo de participação na vida cultural, ainda existem barreiras significativas que limitam esse acesso. A pesquisa enfatiza que a acessibilidade deve ser um elemento central desde o planejamento de projetos culturais, assegurando não apenas infraestrutura adequada, mas também informações acessíveis, profissionais capacitados e programações inclusivas.

Entre as principais recomendações estão:

Ampliação do diálogo com o público com deficiência na construção de iniciativas culturais
Implementação estruturada de recursos acessíveis
Descentralização das atividades para alcançar diferentes perfis de público
Formação contínua de profissionais da cultura
Incentivo à produção artística realizada por pessoas com deficiência.

“A pesquisa evidencia a necessidade de garantir o protagonismo das pessoas com deficiência nos debates e na tomada de decisões sobre acessibilidade cultural, promovendo, efetivamente, uma programação cultural diversificada, acessível e disponível para todas as pessoas” afirma Thaís Martins, coordenadora de pesquisa e advocacy da Mais Diferenças.

Acesso à cultura como um direito fundamental

A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) estabelece que a acessibilidade é um direito fundamental, assegurando que as pessoas com deficiência possam participar plenamente da vida em sociedade, incluindo o acesso à cultura. Essa legislação representa um avanço significativo na luta pelos direitos das pessoas com deficiência, mas a realidade ainda mostra que muitos desafios persistem. O lançamento desta pesquisa é um passo importante para entender essas barreiras e contribuir para a garantia destes direitos, alinhando-se aos princípios da inclusão e da diversidade.

A publicação completa da pesquisa está disponível no site da Mais Diferenças, que convida a comunidade e profissionais, como artistas, produtores e gestores culturais, a refletirem sobre as recomendações apresentadas para garantir um acesso mais equitativo à fruição cultural.

Para baixar a publicação em PDF acessível, clique no link: https://bit.ly/PublicacaoAcessoeAcessibilidade

Sobre a Mais Diferenças
A Mais Diferenças é uma organização da sociedade civil que, há 19 anos, atua na luta por um mundo mais acessível, inclusivo e equitativo. Através de iniciativas em educação e cultura inclusivas, promove ações que valorizam as diferenças e fortalecem os direitos humanos.