Massacrada, população indígena representa menos de 0,5% do país

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Reprodução/Agência Brasil

Estima-se que a população indígena no Brasil no ano de 1500, quando os primeiros colonizadores chegaram, variava entre 4 e 10 milhões de pessoas. Passados 517 anos, a população indígena foi reduzida para 816.917 pessoas, representando apenas 0,47% da população brasileira atual.

Séculos de massacres realizados pelos colonizadores e conflitos com fazendeiros e garimpeiros que invadiram terras indígenas contribuíram para a redução da população.

Primitivos, atrasados, selvagens e imorais: era assim que os portugueses os viam e, com o aval da Igreja Católica (que cogitou que eles não tinham alma), a matança começou. Posteriormente a Igreja Católica voltou atrás e resolveu “educar” a população indígena. Mesmo assim, as mortes não pararam.

Os índios que sobreviveram foram escravizados ou catequizados. As doenças trazidas pelo homem branco foram outra arma mortal. Sem imunidade para os vírus e bactérias que vieram junto com os colonizadores, os índios não resistiram às doenças até aquele momento desconhecidas pelos povos.

Durante a ditadura militar, mais de oito mil indígenas foram mortos por estarem no caminho das estradas idealizadas pelo Programa de Integração Nacional. Os Waimiri-Atroari perderam 75% de sua população em menos de quinze anos. Os Panarás perderam 84%. O número de Parakanãs no Pará caiu pela metade. Sobraram apenas 10% dos Yanomamis do rio Ajarani.

Até hoje índios são assassinados. Entre 2003 e 2015, 742 indígenas foram assassinados. Isso representa uma média de 57 por ano, ou um homicídio a cada seis dias.

Os dados fazem parte do mais recente levantamento sobre a violência contra indígenas no Brasil, a plataforma CACI (Cartografia dos Ataques Contra Indígenas).

Mas, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), existem motivos para comemorar. Nas últimas duas décadas, a população indígena teve um aumento de 205%. Outro aumento ligado à população indígena, porém esse não é para ser comemorado, foi a taxa de suicídio. Entre os mais de cinco mil municípios brasileiros, a cidade de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, ficou na primeira posição do ranking brasileiro de suicídios. Os novos dados do Mapa da Violência 2014 revelam que, entre 2008 e 2012, a taxa de suicídios na cidade foi de 50 casos por 100 mil habitantes, dez vezes maior do que a média brasileira. Entre os que se mataram, 93% eram indígenas. A falta de demarcação de terra, a perda de espaço e de liberdade estão entre as principais causas para essas mortes.