Uma em cada três crianças com deficiência já sofreu violência
No mês em que se comemora o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, conversamos com Suely Katz, fundadora da Associação Nosso Sonho, sobre a importância da atuação do terceiro setor com crianças com deficiência

Por Ana Clara Godoi
Uma a cada três crianças e adolescentes com deficiência já sofreram algum tipo de violência. Os dados são da pesquisa The Lancet Child & Adolescent Health, que foi divulgada em março deste ano e contabilizou registros de 16,8 milhões de crianças e adolescentes em 25 países.
A pesquisa apontou que as crianças que mais sofrem violência são as que tem algum tipo de deficiência mental (34,4%), impedimento cognitivo ou de aprendizado (33%). As pessoas com deficiências sensoriais (27,4%), físicas (25,6%) ou de doenças crônicas (20,5%) são menos vulneráveis às violências. O levantamento também identificou os tipos de violência mais comuns sofridas por essa população, são elas: violência emocional (36,2%), violência física (31,7%), negligência ou abandono (19,4%) e, por fim, sexual (11,3%).
Para entender a importância do trabalho do terceiro setor com as crianças e adolescentes que possuem algum tipo de deficiência, o Observatório do Terceiro Setor entrevistou Suely Katz, fundadora da Associação Nosso Sonho.
“Acredito que existe um vácuo nessa área. Se a saúde no Brasil deixa a desejar, muito mais deve ser feito no terceiro setor. As pessoas devem se organizar e realizar, não ficar esperando que o governo faça”, afirma.
Para Suely Katz, a pessoa com deficiência precisa ser olhada como cidadão participativo e ter as condições adequadas para exercer seu papel. “Ainda existe muito preconceito, fruto da falta de informação, o que gera e alimenta o capacitismo. Então é preciso esclarecer, falar mais a respeito, criar oportunidades de convivência, principalmente para as crianças, para que surja uma nova sociedade”.
A Associação Nosso Sonho é uma organização da sociedade civil que promove a inclusão social de crianças e jovens com paralisia cerebral, tanto na sociedade como no mercado de trabalho. Formada por um setor clínico e setor pedagógico, a entidade conta com uma equipe de profissionais nas áreas de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia, arte terapia e pedagogia.
Todas as ações da organização estão alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 3- Saúde e bem estar, ODS 8 – Trabalho decente e crescimento econômico e ODS 10 – Redução das desigualdades.
