47% das mulheres no Brasil já sofreram assédio sexual no Carnaval

Direitos Humanos
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Pesquisa revela que quase metade das brasileiras já sofreu assédio sexual durante a folia, enquanto iniciativas ampliam acolhimento e suporte às vítimas.

Imagem: Adobe Stock

O Carnaval, uma das festas populares mais aguardadas pelos brasileiros, já começou no dia 13 de fevereiro. Mas, com a alegria da folia, também surgem preocupações relacionadas à segurança de quem participa da festividade.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva revela que quase metade das mulheres brasileiras (47%) já sofreu algum tipo de assédio sexual durante o Carnaval. Além disso, 80% afirmam ter medo de vivenciar esse tipo de situação enquanto curtem os blocos e eventos carnavalescos.

O levantamento também avaliou o grau de concordância com afirmações relacionadas à violência sexual — e, em todos os casos, os homens apresentaram índices maiores de concordância.

Segundo o estudo:

  • 22% dos brasileiros concordam que quem está “pulando Carnaval sozinho” quer ficar com alguém (28% entre homens e 16% entre mulheres);
  • 18% acreditam que a roupa usada por uma mulher pode indicar intenção de beijar (23% entre homens e 13% entre mulheres);
  • 17% consideram que, no Carnaval, “ninguém é de ninguém” (20% entre homens e 14% entre mulheres).

Os homens também foram maioria em concordar com afirmações como a de que uma pessoa que curte o Carnaval sozinha estaria interessada em se envolver com alguém, ou que a forma de se vestir poderia indicar abertura para beijos.

A pesquisa ainda abordou uma prática que configura violência sexual: para 10% do total de entrevistados — índice que sobe para 12% entre homens — é aceitável que um homem “roube” um beijo de uma mulher alcoolizada durante a festa.

Por outro lado, um dado positivo apontado pelo estudo é que 86% dos entrevistados defendem que o combate a essas violências é responsabilidade de toda a sociedade. Ainda assim, há diferença entre as respostas: 89% das mulheres concordam com essa afirmação, contra 82% dos homens.

Além disso, 96% reconhecem a importância das campanhas de conscientização e enfrentamento ao assédio durante o período carnavalesco.

Suporte jurídico gratuito para mulheres no Carnaval de SP

A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo ampliou, para o Carnaval de 2026, a atuação do projeto OAB Por Elas, que oferece acolhimento humanizado e suporte jurídico gratuito para mulheres vítimas de assédio, importunação e agressões sexuais durante a folia.

A iniciativa contará com atendimento presencial na capital paulista e plantão online para todo o estado até o dia 17 de fevereiro.

A ação é liderada pela Comissão de Mulheres Advogadas e reúne 368 advogadas voluntárias, capacitadas para oferecer escuta especializada, orientação jurídica e encaminhamento para a rede de proteção.

Neste ano, além do atendimento remoto e presencial, a OAB SP também levará ações de apoio e conscientização para blocos de rua e para o Sambódromo do Anhembi, dois dos principais polos carnavalescos da capital.

O projeto estará presente nos 11 circuitos oficiais de megablocos. Identificadas com camisetas da ação, as advogadas voluntárias circularão em pontos como:

  • Parque Ibirapuera;
  • Rua da Consolação;
  • Avenida Brigadeiro Faria Lima;
  • Avenida Marquês de São Vicente;
  • Rua dos Pinheiros, Rua Henrique Schaumann;
  • Avenida Hélio Pellegrino;
  • Avenida Paulista;
  • Rua Laguna;
  • Praça da República;
  • Rua Augusta.

ONGs que atuam no combate à violência contra a mulher

O assédio sexual é uma forma de violência contra a mulher, configurando crime e violação de direitos humanos. Envolve constrangimento com conotação sexual, muitas vezes associado a abuso de poder ou de contexto, e pode ocorrer no trabalho, em espaços públicos ou no ambiente doméstico.

Casos de violência podem ser denunciados pelo Ligue 180, canal gratuito que funciona 24 horas por dia, em todo o país.

O Observatório do Terceiro Setor acompanha essa pauta por meio da atuação de organizações da sociedade civil comprometidas com o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 — entre eles o ODS 5, que trata da Igualdade de Gênero.

Clique aqui e conheça ONGs que atuam no combate à violência contra a mulher.

Fonte: Agência Brasil