88% dos brasileiros se importam com sofrimento dos animais em fazendas
Pesquisa do Datafolha feita a pedido da ONG Fórum Animal revela que maioria dos brasileiros se preocupa com sofrimento dos animais e está disposta a comprar produtos apenas de locais que não utilizem práticas cruéis

Por: Juliana Lima
Segundo um levantamento inédito realizado pelo Datafolha a pedido da organização Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, 88% dos brasileiros se importam com o sofrimento dos animais em fazendas, sendo que 64% das pessoas entrevistadas indicaram se importar muito e 24% disseram se importar um pouco.
Segundo a pesquisa, o percentual é maior entre os jovens com idade entre 16 e 24 anos (93%), entre quem possui ensino superior (91%) e brasileiros das classes A e B (89%), que têm maioria feminina. Por outro lado, o percentual dos que dizem não se importar com o sofrimento dos animais (apenas 9% na amostra total) é maior entre pessoas com 60 anos ou mais (14%), pessoas com apenas o ensino fundamental completo (13%) e residentes da região sul do Brasil (13%).
Foram entrevistadas, para a pesquisa, 2.073 pessoas de todas as regiões do país. Além disso, o estudo selecionou inicialmente as pessoas que costumam fazer compras em supermercado ou hipermercado. Os resultados mostram que 84% das pessoas estão dispostas a mudar seu local de compras caso saibam que o estabelecimento onde costumam ir comercializa produtos cuja matéria-prima provém de fazendas que causam sofrimento aos animais.
“O estudo traz resultados importantes para os animais em situação de fazenda, pois dá voz aos consumidores, que nos dizem se importar com a procedência dos alimentos e com o sofrimento associado às práticas produtivas hoje predominantes nas granjas, como as gaiolas na criação de galinhas e porcas”, diz Carolina Sampaio, gerente de Relações Corporativas do Fórum Animal.
Segundo Carolina, o consumidor está cada vez mais consciente de seu poder de influência sobre as empresas e sua capacidade de mobilização para mudanças. Para ela, os consumidores estão “demonstrando às empresas que as práticas cruéis são inaceitáveis, sinalizando que estão dispostos a comprar em outro estabelecimento, caso o supermercado não tenha compromisso público de bem-estar animal”.
