Escravizadas faziam bonecas para dar aos filhos vendidos na esperança de encontrá-los

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Ainda no navio negreiro, as mães cortavam pedaços de suas saias e faziam a boneca dando nós para formarem as mãos, cabeças e pés. Antes da separação, o brinquedo era entregue aos filhos, na esperança de um dia reencontrá-los.

Imagem ilustrativa | Foto: Adobe Stock

No período da escravidão no Brasil, que durou até 1888, mães e filhos trazidos da África eram separados após chegarem ao país. Na esperança de um dia se reencontrarem, as mulheres tiveram a ideia de dar uma pista às crianças sobre de onde vieram: uma boneca de pano.

Ainda no navio negreiro, as mães cortavam pedaços de suas saias e faziam a boneca dando nós para formarem as mãos, cabeças e pés. Antes da separação, o brinquedo era entregue aos filhos, na esperança de um dia reencontrá-los.

Com a boneca, o tipo tecido e a estampa indicavam de qual região da África a criança teria vindo e, assim, poderia identificar a mãe um dia. A boneca foi chamada de Abayomi, que  significa “o melhor de mim para ti”.

Ao longo do tempo, a boneca continuou sendo feita nas senzalas como forma de amuleto e hoje é produzida pelos descendentes dos escravizados como um símbolo da resistência.

O quilombo Cafundó, em Salto do Pirapora, conta a história da abayomi, a primeira boneca de pano a chegar ao Brasil, e produz as bonecas até hoje, para nunca esquecer a dor destas mães.

Fonte: G1