38% das crianças de até 6 anos do Complexo da Maré presenciaram algum tipo de violência

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Uma pesquisa inédita mapeou a situação da primeira infância no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, revelando situações lamentáveis. Os dados mostram que 38,2% das crianças já presenciaram algum tipo de violência; mais da metade das famílias encontrou dificuldade para botar comida na mesa durante a pandemia. A pesquisa da ONG Redes da Maré se chama “Primeira Infância na Maré – Acessos a direitos e práticas de cuidado” e trata de crianças até seis anos de idade.

Foto: Tomas Silva/ Agência Brasil

Uma pesquisa inédita mapeou a situação da primeira infância no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro. E revelou situações lamentáveis. Os dados mostram que 38,2% das crianças já presenciaram algum tipo de violência. E mais da metade das famílias encontrou dificuldade para botar comida na mesa durante a pandemia.

A pesquisa da ONG Redes da Maré se chama “Primeira Infância na Maré – Acessos a direitos e práticas de cuidado”, e trata de crianças até seis anos de idade. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (27/09).

O levantamento entrevistou os responsáveis pelos menores e profissionais que trabalham no apoio à primeira infância, como professores, assistentes sociais e profissionais de saúde.

“A partir deste estudo, a gente pode reforçar a ideia que tínhamos anteriormente, considerando a necessidade de avanços em diversas políticas públicas do sistema de garantia de direitos das crianças como a ampliação de vagas no campo da educação, muitas famílias reivindicando vagas em creches, muitas famílias preocupadas com a questão da saúde, de conseguirem brincar no espaço público e a questão da violência”, afirmou Gisele Martins, coordenadora da Redes da Maré.

Os dados mostram que 94% dos cuidadores principais dos menores com idade até 6 anos são mulheres, geralmente mães ou avós; 74,4% se autodeclaram pretas ou pardas. Além disso, 68% têm idade entre 20 e 39 anos; em 24% dos lares, a figura paterna inexiste no cotidiano da criança.

Entre as famílias, 51,2% são sustentadas por mulheres, 44,7% são sustentadas por homens. Sobre a renda, 32,8% têm renda mensal familiar de até um salário mínimo e 57,4% das famílias não recebem nenhum tipo de auxílio do governo.

Como a pesquisa foi realizada durante a pandemia da Covid-19, a pesquisa identificou que 54,1% das famílias entrevistadas tiveram dificuldade com a alimentação durante o período. Em 11,8% dos casos, alguém da família deixou de comer ou pulou refeições para não faltar alimento para as crianças.

A pesquisa destaca também a inexistência ou dificuldade de acesso aos aparelhos públicos de lazer, cultura e esporte. Assim, 59,8% dos entrevistados consideram que as crianças da casa não acessam essas atividades.

A Organização das Nações Unidas (ONU) desenvolveu uma série de objetivos ambiciosos no ano de 2015 por meio de um “Pacto Global”, que envolve os seus 193 países membros. O projeto da ONU contempla 17 ODS, ou seja, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A temática apresentada está  ligada ao ODS 16.2 – Acabar com abuso, exploração, tráfico e todas as formas de violência e tortura contra crianças.

A Redes da Maré é uma organização da sociedade civil, que nasceu da mobilização comunitária a partir dos anos 80, nas favelas da Maré. Formalizada em 2007, tem como missão tecer as redes necessárias para efetivar os direitos da população do conjunto de 16 favelas da Maré, onde residem mais de 140 mil pessoas. Clique aqui para conhecer seu trabalho.

 

Fonte: g1