Ativista que luta pelos direitos das mulheres no Irã ganha o Nobel da Paz
A iraniana Narges Mohammadi, voz da revolução feminina histórica de seu país, venceu o Prêmio Nobel da Paz 2023. Ativista, engenheira, mãe de gêmeos e atualmente presa, lidera a luta histórica contra a repressão a mulheres no Irã, que começou há um ano pela morte de jovem detida por ‘uso incorreto’ do véu.

A iraniana Narges Mohammadi, voz da revolução feminina histórica de seu país, venceu o Prêmio Nobel da Paz 2023, anunciado nesta sexta-feira (06/09).
Ativista, engenheira, mãe de gêmeos e atualmente presa, lidera a luta histórica contra a repressão a mulheres no Irã, que começou há um ano pela morte de jovem detida por ‘uso incorreto’ do véu.
Mohammadi foi prisioneira durante a maior parte das últimas duas décadas. Ela foi condenada repetidamente pela sua campanha incansável contra a pena de morte e o confinamento solitário — que teve de suportar durante semanas.
A ativista cumpre atualmente uma pena de 10 anos e 9 meses, acusada de ações contra a segurança nacional e propaganda contra o Estado.
Ela também foi condenada a 154 chicotadas, uma punição que grupos de direitos humanos acreditam que ainda não foi aplicada, além de proibições de viagens e outras restrições.
Mohammadi, a 19ª mulher a receber um prêmio que já foi dado 92 vezes a homens, vem liderando a luta histórica das mulheres no Irã contra a opressão do atual regime.
O Nobel da Paz foi concedido a Mohammadi cerca de um ano após o estopim da onda de protestos iniciados com a morte da jovem Mahsa Amini, presa em 2022 por “uso incorreto” do véu islâmico obrigatório no país.
A premiação também chega na semana em que outra iraniana entrou em coma após ser abordada no metrô pela chamada polícia da moralidade, um braço do governo iraniano que fiscaliza as duras restrições impostas a mulheres no país.
Embora tenha se tornando uma das lideranças do atual movimento, a atuação de Narges Mohammadi, uma mãe de gêmeos e engenheira de 51 anos, é ainda mais antiga.
Há duas décadas, a ativista é uma das principais defensoras dos direitos das mulheres e da abolição da pena de morte no Irã, um dos países que mais utiliza esse método de punição no mundo. Ela já foi presa seis vezes, a primeira delas há 22 anos.
Desde janeiro de 2022, cumpre pena de 10 anos e 9 meses de prisão por espalhar propaganda contra o governo no presídio de Evin, em Teerã, conhecido por abrigar críticos do regime.
“Narges é uma defensora dos direitos humanos e uma pessoa que luta pela liberdade. Nós queremos apoiar sua luta corajosa e reconhecer milhares de pessoas que se manifestaram contra o regime teocrático de repressão e discriminação que tem como alvo as mulheres no Irã”, declarou a presidente do Comitê do Nobel, Berit Reiss-Andersen, que fez o anúncio do prêmio.
Em farsi, Reiss-Andersen repetiu o lema dos protestos no Irã durante a premiação: “Mulheres. Vida. Liberdade”.
A Organização das Nações Unidas (ONU) desenvolveu uma série de objetivos ambiciosos no ano de 2015 por meio de um “Pacto Global”, que envolve os seus 193 países membros. O projeto da ONU contempla 17 ODS, ou seja, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
A luta da ganhadora do Prêmio Nobel está alinhada ao O ODS 5 – Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.
Fontes: g1 e CNN Brasil
