Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras é lançada em 3 países da América Latina
Direitos HumanosIniciativa inédita reúne cibersegurança, acolhimento e apoio jurídico para jornalistas e comunicadoras negras, indígenas e quilombolas

A Rede Jornalistas Pretos pela Diversidade na Comunicação (Rede JP) lança a Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras (REPCONE). A iniciativa, inédita na América Latina, une cibersegurança, acolhimento e proteção jurídica, com transmissão do lançamento pelo YouTube e Instagram.
O evento marca o início de uma série de ações, campanhas de conscientização e articulação para fortalecer redes de proteção digital.
Nove em cada dez jornalistas mulheres no Brasil já sofreram assédio online, e mais da metade recebeu ameaças diretas à integridade física. Na América Latina, mais de 15 mil comunicadoras foram alvo de ataques mediados por tecnologia, segundo dados da Unesco e do InternetLab. A violência digital afeta, sobretudo, mulheres negras, indígenas e quilombolas.
“Proteger essas mulheres é proteger narrativas que sustentam a democracia e a pluralidade de vozes. A violência digital não silencia apenas indivíduos, mas comunidades inteiras”, afirma em nota, Marcelle Chagas, coordenadora-geral da Rede JP, Mozilla Fellow e idealizadora da REPCONE.
O lançamento reúne especialistas, jornalistas e defensoras de direitos humanos do Brasil, Peru e Argentina. Entre os nomes confirmados estavam Luciana Barreto (TV Brasil), Angela Chukunzira (Quênia/Mozilla Foundation), Sofía Carrillo (Peru/Red de Periodistas Afrolatinos), Kátia Brasil (Amazônia Real) e Estêvão Silva (advogado popular/ANAN).
Proteção e resistência digital
“Nos relatos que recebemos, a palavra que mais se repete é ‘solidão’. Muitas comunicadoras enfrentam ataques sozinhas, sem saber a quem recorrer, e entre mulheres negras, indígenas e quilombolas, essa vulnerabilidade é ainda maior, marcada pela intersecção entre racismo, machismo e desigualdade digital. O REPCONE nasce para mudar essa realidade, oferecendo formação, resposta coletiva e, sobretudo, uma rede de confiança que garante que nenhuma voz estará sozinha”, comenta Marcelle.
Segundo Denise Mota, coordenadora de projetos da Rede JP na América Latina, estudos mostram que muitas dessas mulheres acabam abandonando o debate público, reduzindo sua participação em redes sociais como forma de preservar a saúde mental e suas atividades profissionais.
A violência digital contra mulheres negras não é aleatória, utiliza estereótipos racistas e sexistas para silenciar e deslegitimar profissionais por meio de discursos de ódio, ameaças físicas e sexuais, exposição de dados pessoais e ataques à credibilidade profissional.
Um levantamento da Repórteres Sem Fronteiras mostra que oito em cada dez jornalistas mulheres negras sofreram ataques virtuais no Brasil nos últimos três anos, com crescimento durante períodos eleitorais e coberturas sobre direitos humanos.
Já uma pesquisa do Fórum de Jornalismo Argentino (FOPEA) apontou que 67% das jornalistas negras e racializadas do país foram alvo de assédio digital, sobretudo após a publicação de matérias sobre raça ou gênero.
Atuação da REPCONE
O acesso à REPCONE será gratuito. Inicialmente, 50 vagas serão abertas para comunicadoras da América Latina, que receberão treinamento em cibersegurança, materiais educativos, apoio psicológico e orientação jurídica.
A iniciativa terá três eixos principais:
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Cibersegurança: capacitação para prevenir e mitigar riscos digitais;
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Acolhimento e apoio psicossocial: suporte emocional e comunitário para vítimas de ataques;
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Proteção jurídica: orientação e defesa legal especializada em casos de violência digital.
Segundo Marcelle, a rede contará com especialistas reconhecidos no jornalismo, na cibersegurança e na defesa dos direitos humanos, escolhidos pela credibilidade e alinhamento com os princípios da Rede JP.
Sobre a Rede JP
Fundada em 2018, a Rede de Jornalistas Pretos Pela Diversidade na Comunicação (Rede JP) é uma organização não-governamental dedicada a democratizar a comunicação e promover a participação de jornalistas negros nesse processo. A iniciativa se estrutura em três pilares principais: educação, representatividade e oportunidade, com o objetivo de promover a inovação e conexões estratégicas. A Rede JP atua como um elo entre aproximadamente 200 veículos de comunicação afrocentrados, grandes mídias, empreendedores, estudantes e comunicadores de diversas regiões do Brasil. Para mais informações basta acessar o site Rede JP.
