4 dicas para captar recursos para o desenvolvimento institucional das OSCs
Captação de Recursos
Sustentabilidade não se improvisa: é preciso estratégia, transparência e visão de longo prazo

Por Erika Sanchez Saez (Kika)
No Brasil, ainda há uma escassez significativa de recursos destinados ao fortalecimento institucional das organizações da sociedade civil (OSCs). Sobre esse ponto, é difícil encontrar quem discorde.
Mas — e se o problema não fosse apenas esse?
E se as próprias OSCs também pudessem ser mais proativas na busca por formas de financiar o seu desenvolvimento institucional?
Este artigo compartilha quatro dicas inspiradas em “fichas que foram caindo” ao longo dos últimos anos, em trocas com diferentes organizações e equipes que vêm tentando equilibrar o curto e o longo prazo, o fazer e o sustentar.
Por exemplo: quantas organizações possuem, de fato, um plano de Desenvolvimento Institucional (DI)?
E o que as organizações podem fazer para mobilizar mais apoiadores — inclusive para que surjam mais recursos voltados ao DI?
Abaixo, quatro ideias para refletir e agir:
Dica 1 — A sua organização não pode se explicar apenas pelos projetos que executa
Projetos são importantes, mas não definem a essência de uma organização.
Uma OSC precisa saber explicar quem é, o que busca e qual caminho pretende seguir — independentemente dos editais que vencer.
A pergunta é: sua organização tem uma estratégia clara?
E todos da equipe conhecem essa estratégia?
Ferramentas como a Teoria da Mudança ajudam a tornar visível a lógica de atuação e o papel institucional. Isso fortalece a coerência, amplia a credibilidade e torna o diálogo com doadores muito mais consistente.
Dica 2 — Compartilhe as vulnerabilidades
Sério? Sim!
Se a sua organização parece perfeita, como vai convencer alguém de que precisa de recursos para melhorar?
A transparência sobre fragilidades, quando acompanhada de propostas de solução, é um sinal de maturidade institucional.
Um autodiagnóstico de DI é um ótimo ponto de partida para identificar desafios.
E um plano de desenvolvimento institucional atualizado transforma essa reflexão em ação: é ele que converte uma proposta de fortalecimento interno em uma proposta legítima de captação de recursos.
Dica 3 — A sua organização precisa ter quatro bolsos
Um bom planejamento financeiro institucional se organiza em quatro dimensões:
Custos operacionais recorrentes: precisam estar sempre incluídos na captação por projetos.
Imprevistos: o vazamento, o computador que quebrou, a licença emergencial.
Investimentos: o novo planejamento estratégico, o sistema financeiro, a avaliação de impacto, o reposicionamento de marca.
Fundo de reserva: porque sustentabilidade também exige fôlego financeiro.
Sem essa visão, a organização fica sempre em modo de sobrevivência — e não de fortalecimento.
Dica 4 — Crie uma política de Desenvolvimento Institucional
Se todo recurso captado for sempre destinado apenas a projetos, nunca haverá espaço para investir na estrutura.
E quando tudo é urgente, o DI é o primeiro a ser esquecido.
Lembrar dele só quando não há mais jeito não ajuda ninguém a dormir melhor.
Comece pequeno: defina uma política interna, separe um percentual fixo para o fortalecimento institucional e crie um fundo de reserva, mesmo que simbólico.
Sustentabilidade não se improvisa — se você não começar, ele nunca vai existir.
O fortalecimento institucional não é um luxo.
É o que garante que as organizações possam agir com consistência, cuidar das pessoas e multiplicar seu impacto.
*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor.
