Pressão alta pode ter relação com a forma como você respira, alertam especialistas
EducaçãoPesquisa da USP apresentada no Brasil ODS revela como alterações respiratórias podem influenciar a hipertensão e abrir caminho para novos tratamentos

Por Vitória Serrão.
A saúde é um dos principais pilares do bem-estar humano. No mundo, a hipertensão é uma das doenças crônicas mais comuns, afetando cerca de 1,4 bilhão de adultos. No entanto, apenas 20% das pessoas conseguem manter a condição sob controle, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
No Brasil, o cenário também preocupa. Estima-se que entre 30% e 45% dos adultos convivam com a hipertensão, e apenas cerca de um terço dos pacientes mantém a pressão arterial controlada. O mesmo relatório da OMS aponta que uma em cada três pessoas adultas no mundo vive com hipertensão e que mais de 80% dos casos não recebem tratamento adequado.
A discussão está alinhada ao ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) da Agenda 2030 e se desenvolve a partir de uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) que identificou mecanismos no cérebro que podem ajudar a explicar porque muitas pessoas continuam com pressão alta mesmo tomando medicamentos.
A informação e conscientização sobre saúde faz toda a diferença
Segundo a professora Lucélia Batista Neves Cunha Magalhães, doutora em Epidemiologia, fundadora do Departamento de Espiritualidade da Sociedade Brasileira de Cardiologia e professora de Medicina da Bahia, a hipertensão é uma doença silenciosa, o que torna o diagnóstico precoce ainda mais importante.
“A pressão alta, na maioria das vezes, não provoca sintomas. Por isso, muitas pessoas acreditam que estão saudáveis e deixam de medir a pressão arterial. No entanto, quando não controlada, a hipertensão aumenta o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca, doenças renais e aneurismas. Além do tratamento com medicamentos, é fundamental adotar mudanças no estilo de vida, como reduzir o consumo de sal, controlar o peso, praticar atividade física e aprender a lidar com o estresse”, destaca.
A respiração pode influenciar a pressão arterial
Para o professor Davi Moraes, pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e especialista em neurofisiologia e controle da respiração, ainda não é possível afirmar que a maioria das pessoas respira de forma inadequada. No entanto, ele destaca que a ciência tem demonstrado uma relação cada vez mais evidente entre alterações no padrão respiratório e a hipertensão.
“Os estudos mais recentes mostram que alterações na forma como respiramos podem influenciar outras funções do organismo, entre elas a pressão arterial. Nossa pesquisa busca compreender como mudanças no padrão respiratório afetam os mecanismos neurais responsáveis pelo controle da pressão, especialmente nos casos de hipertensão neurogênica, em que o sistema nervoso simpático exerce um papel importante”, pontua.
Acompanhe o Brasil ODS
O Brasil ODS é uma produção audiovisual do Observatório do Terceiro Setor (OTS), apresentado por Joel Scala, com o apoio da Fapesp — Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. A iniciativa é voltada à divulgação científica e ao debate público sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU.
O programa vai ao ar às quintas-feiras no portal do OTS e às 15h na Rádio Brasil de Fato (98,9 FM).
