Levantamento aponta falta de informação sobre violência doméstica
ONGs em AçãoEstudo aponta falta de informação impede brasileiros de agir contra violência doméstica; Índice de Conscientização revela que 62% da população não sabe como ajudar uma mulher vítima de violência e 40% das mulheres não reconhecem agressões sofridas como violência

Um levantamento inédito realizado pelo Instituto Natura e a Avon revela um cenário preocupante: 62% dos brasileiros afirmam não ter informação suficiente para ajudar uma mulher em situação de violência. O dado integra o Índice de Conscientização sobre Violência contra as Mulheres, lançado em novembro, que busca medir o nível de conhecimento da população sobre o tema e apoiar políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero.
Apesar dos esforços de governos, mídia e instituições, apenas 38% dos brasileiros afirmam ter alguma informação sobre leis, tipos de violência doméstica (física, sexual, patrimonial, moral e psicológica) e canais de denúncia. O índice, elaborado entre junho e agosto de 2025, ouviu 4.224 pessoas em todas as regiões do país e demonstrou que quatro em cada dez brasileiros não se lembram de ter visto campanhas de conscientização sobre o tema no último ano.
A falta de informação também afeta o reconhecimento das próprias vítimas: quatro em cada dez mulheres não declararam espontaneamente ter sofrido violência, mas identificaram que passaram por situações descritas pelos pesquisadores como agressões.
“A conscientização é parte da solução do problema social que é a violência contra mulheres e meninas”, afirma em nota, Maria Slemenson, superintendente do Instituto Natura Brasil. “É por isso que o Instituto Natura desenvolveu o Índice. Não se trata de uma pesquisa pontual, mas uma ferramenta perene, um instrumento de acompanhamento da conscientização sobre a violência contra as mulheres, que nos ajuda a compreender se estamos evoluindo enquanto sociedade na forma como percebemos, compreendemos e reagimos em relação à violência contra a mulher”.
Veja o infográfico do índice do Brasil aqui.
Contradições entre discurso e prática
Os dados também revelam contradições entre o que as pessoas dizem e o que efetivamente fazem. Embora 98% das brasileiras afirmem que tomariam uma atitude caso sofressem algum tipo de violência, apenas 73% das que já passaram por situações reais buscaram ajuda, e a maioria o fez de forma privada, sem acionar a polícia.
Outro dado mostra que, mesmo reconhecendo a responsabilidade coletiva, 96% dos entrevistados afirmam que a sociedade tem um papel diante do problema, 60% acreditam que o que acontece entre um casal deve ser resolvido apenas entre eles.
“Embora tenhamos a impressão de que este seja um assunto em evidência na sociedade, a maior parte de nossa população não conhece informações fundamentais a respeito das leis e políticas públicas de proteção e apoio. Esse cenário contribui para que a violência contra a mulher, em especial a doméstica, seja mantida na esfera privada, e não tratada como um problema social mais amplo”, diz Beatriz Accioly, antropóloga e líder de Políticas Públicas pelo Fim da Violência Contra Meninas e Mulheres no Instituto Natura. “Enfrentar a violência contra a mulher é uma responsabilidade do Estado, mas também de toda a sociedade”, afirma a especialista.
Além do Brasil, o Índice de Conscientização sobre a Violência contra as Mulheres será lançado na Argentina, Chile, Colômbia, Peru e México, países onde o Instituto Natura e a Avon também atuam. Em todos eles, mais de um terço dos entrevistados afirmaram ter pouca ou nenhuma informação para ajudar uma mulher em situação de violência.
Como parte das ações de conscientização, as instituições lançaram a campanha “Chame Pelo Nome”, que terá nova fase em novembro, durante os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas. A iniciativa busca mobilizar a sociedade, reforçar a importância das denúncias e ampliar o acesso à informação sobre os canais de apoio disponíveis.
Sobre o Instituto Natura
Criado em 2010, o Instituto Natura almeja transformar a educação pública, garantindo uma aprendizagem de qualidade para todas as crianças e jovens nos seis países da América Latina em que está presente (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru). Também como forma de atuação, se dedica ao desenvolvimento educacional das Consultoras de Beleza Natura e Avon e trabalha em conjunto com inúmeros parceiros no poder público, no terceiro setor e na sociedade civil. Desde 2024, o instituto ampliou sua atuação para a defesa dos direitos fundamentais das mulheres, desenvolvendo iniciativas voltadas à conscientização sobre o câncer de mama e ao combate à violência contra meninas e mulheres por meio do apoio da Avon, que historicamente tem sido uma parceira comprometida e continua apoiando as ações do Instituto Natura nessa causa.
Sobre a Avon
Avon é uma das maiores marcas de beleza do mundo e pertence à Natura Cosméticos. Há 138 anos, a Avon tem em sua essência um compromisso com as mulheres, promovendo não apenas experiências em beleza e autocuidado, mas também ações concretas em prol de sua independência e bem-estar. Presente no Brasil desde 1958, concentra no país sua maior operação. Seu portfólio diversificado inclui produtos inovadores e de alta tecnologia, com marcas mundialmente reconhecidas, como as linhas de maquiagem Power Stay, Tratamake e Color Trend, as linhas de cuidados Renew e Avon Care, além dos perfumes Far Away, Love|U, Attraction, Segno e 300km/H. Além disso, a marca oferece uma variedade de itens para Casa & Estilo.
