Projeto transforma a forma de caminhar e se orientar em comunidade da Zona Leste de São Paulo
ONGs em Ação
O bairro Jardim Lapenna, em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo, ganhou um novo sistema de sinalização urbana voltada exclusivamente para os deslocamentos a pé e de bicicleta, com o intuito de facilitar a locomoção no território e valorizar as histórias locais por meio de placas informativas, indicativas e de navegação.
Desenvolvido pelo Instituto Caminhabilidade, em parceria com a Fundação Tide Setúbal, o projeto integra o Plano de Bairro do território e foi construído junto à população, que participou das oficinas de mapeamento das rotas e equipamentos, resultando no mutirão coletivo de instalação das placas que criam um sistema de Legibilidade Cidadã ou do inglês wayfinding, conceito que se refere à facilidade de leitura e compreensão do ambiente urbano e de seus elementos, permitindo que as pessoas se sintam mais à vontade e conectadas com o território onde vivem.
Ao todo, foram 42 placas instaladas, sendo: 17 informativas, com histórias locais; 12 indicativas, com direções e tempos a pé; 4 indicativas com informação; 3 de localização, com o mapa completo e 6 de localização com informação.
Presente em pontos estratégicos do bairro, como áreas de chegada no bairro, como a estação do trem São Miguel, além de praças, o intuito é que as placas ajudem tanto moradores, como visitantes, a se orientarem e reconhecerem a riqueza social e cultural do território.
Atualmente, o Jardim Lapenna conta com 4 quadras, 10 praças, 3 creches e 1 escola, além de inúmeros espaços de convivência criados coletivamente. Todos indicados nas novas sinalizações.
Alguns destes equipamentos receberam o nome de moradores importantes, que foram mapeados a partir de oficinas voltadas para coleta de histórias do território e de personagens significativos.
Uma dessas moradoras é a Dona Glória que foi homenageada na placa do equipamento do CEI Lapenna. Nascida no interior da Bahia e moradora do bairro desde 1963, ela é uma das lideranças mais atuantes nas lutas por melhorias no território. Participante ativa do Fórum de Moradores e ex-diretora da Sociedade Amigos do Jardim Lapenna, foi fundamental para conquistas como escolas e posto de saúde, que ampliaram o acesso a direitos básicos, como destaca a placa.
Segundo Leticia Sabino, diretora do Instituto Caminhabilidade, quando o espaço conta com arte e informação, melhora muito a experiência de quem se desloca caminhando. “O intuito é que o projeto seja um exemplo de como as cidades devem se comunicar com as pessoas, ajudando-as a se localizar e provocando relações de afeto com os espaços, pois isso melhora a sensação de segurança das mulheres e convida as pessoas a caminhar”, afirmou.
Sabino explica que a inovação é trazer um projeto desses para a periferia da cidade, em geral esses sistemas são instalados nos centros históricos, como se fossem as únicas zonas com informações valiosas a serem contadas e conectadas.
Processo participativo
Para que o projeto saísse do papel, foram realizadas oficinas participativas no Galpão ZL, núcleo de desenvolvimento local do bairro. Nas primeiras atividades, os participantes caminharam pelo Lapenna mapeando belezas e símbolos locais, usados no desenvolvimento da identidade visual das placas, e se reuniram para contar histórias do bairro e dos moradores. A partir desse levantamento coletivo, foram identificados 27 espaços de interesse e iniciadas entrevistas e pesquisas de memória com os moradores.
Para que a instalação pudesse ser realizada, um grande mutirão comunitário foi realizado para instalação, além de intervenções artísticas em quatro muros do bairro. Os artistas Cleber e Bruna, moradores da região, criaram grafites na Praça Guiraguaçu, Viela das Flores, praça da estação de trem, e Largo da Almiro, no final da rua Almiro dos Reis, umas das principais do bairro. O que colabora com a qualificação dessas praças e também com a localização, se tornando referências.
