Especialistas discutem restauração da Mata Atlântica e alertam para impactos do desmatamento
EducaçãoRestauração da Mata Atlântica – COP 30 foi tema do programa Brasil ODS, no mês de outubro; durante o programa, especialistas discutem restauração e alertam para impactos do desmatamento e da degradação

Por Sabrina Azevedo
A Mata Atlântica, responsável por abastecer cerca de 70% da população brasileira, vive um de seus momentos mais críticos: apenas 24% de sua cobertura original permanece de pé, sendo que pouco mais de 12% corresponde a florestas maduras e bem preservadas. Para discutir desafios, impactos ambientais e soluções possíveis, o programa Brasil ODS reuniu os pesquisadores Carine Emer e Paulo Artaxo para um debate especial sobre restauração florestal e expectativas para a COP 30.
A Mata Atlântica está fragmentada em 17 estados e sofre com forte pressão humana, perda de habitat, desmatamento, poluição, fragmentação e degradação acelerada. Mesmo com sua relevância ambiental, o bioma perdeu 76% de sua área original, comprometendo bacias hidrográficas essenciais para milhões de brasileiros.
Durante o encontro, o climatologista e pesquisador do IPCC, Paulo Artaxo, destacou a relação direta entre desmatamento e mudanças climáticas.
Segundo ele, 11% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil vêm do desmatamento, e conter esse processo é uma das estratégias mais rápidas e eficientes para reduzir emissões globais.
Artaxo alertou ainda para o avanço preocupante da degradação florestal, causada pela elevação das temperaturas e pela redução das chuvas em regiões tropicais, impacto já mais significativo, em alguns trechos da Amazônia, do que o próprio desmatamento. Para o cientista, preservar florestas tropicais exige “acabar com o uso de combustíveis fósseis”, já que a degradação está se tornando o processo dominante de destruição das florestas ainda intactas.
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Degradação invisível
A pesquisadora Carine Emer, autora do estudo “Redes de Espécies Vegetais-Habitat em uma Paisagem em Mosaico de Florestas Tropicais Restauradas e Fragmentadas”, reforçou que o problema da degradação vai além do que se enxerga nas imagens de satélite.
Ela destacou que muitas florestas consideradas “preservadas” já estão degradadas, especialmente devido à defaunação, a perda de animais causada pela fragmentação, pela destruição de habitat e pela redução das áreas contínuas de floresta.
Segundo ela, até 90% das espécies de árvores nas florestas tropicais dependem de animais para dispersão de sementes, especialmente árvores de sementes grandes, que estocam mais carbono.
“Pensar em restauração e conservação exige olhar também para as interações ecológicas que mantêm os ciclos naturais da floresta”, explicou.
COP 30
A discussão reforça que a restauração da Mata Atlântica e de outros biomas tropicais não pode se limitar ao reflorestamento. É preciso integração entre combate ao desmatamento, redução do uso de fósseis, recuperação da fauna, manejo de espécies e políticas públicas alinhadas ao clima.
A expectativa é que a COP 30 avance em compromissos concretos para frear a degradação e fortalecer ações de conservação, diante das projeções alarmantes para florestas tropicais em todo o mundo.
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
Além dos convidados, o Brasil ODS recebeu os colunistas Paulo Almeida, Gabriela Chabbouh e Nina Orlow, especialistas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Este programa colabora com o ODS 13 (Ação Contra a Mudança Global do Clima), cujo objetivo busca tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos, e ODS 15 (Vida Terrestre), onde visa roteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.
Brasil ODS
O Brasil ODS é uma produção do Observatório do Terceiro Setor (OTS), apresentado por Joel Scala, que conta com o apoio da Fapesp — Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Ele vai ao ar às quintas-feiras no portal do OTS e às 16h na Rádio Brasil de Fato.
