Instituto Lucas Amoroso luta pelo bem-estar e inclusão de pessoas com deficiência

Força Comunitária
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“A missão do Instituto Lucas Amoroso consiste em promover a inclusão social de pessoas com deficiência (PcD), por meio de ações que fortaleçam a autonomia, o protagonismo e os vínculos familiares e comunitários, assegurando o acesso a direitos e a participação efetiva na sociedade” afirma a Assistente Social, Kátia Rose

Imagem: Instituto Lucas Amoroso (Projeto Inclusive Nós)

*Por Lucas Neves

Segundo o IBGE, as pessoas com deficiência (PcD) representam 7,3% da população brasileira com dois anos ou mais, o equivalente a mais de 14 milhões de cidadãos. Apesar de corresponderem a uma parcela significativa da sociedade, os PcD ainda enfrentam uma série de desafios no seu cotidiano, muitas vezes impostos pelas limitações estruturais do país.

Fundado em 2006 em Guaratinguetá-SP, o Instituto Lucas Amoroso (ILA) nasce com os objetivos de apoiar e desenvolver a assistência social para a melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência e seus familiares. 

“A missão do Instituto Lucas Amoroso consiste em promover a inclusão social de pessoas com deficiência (pcd), por meio de ações que fortaleçam a autonomia, o protagonismo e os vínculos familiares e comunitários, assegurando o acesso a direitos e a participação efetiva na sociedade”, comenta Kátia Rose, assistente social do instituto.

Conforme Kátia, ao oferecer serviços gratuitos para cumprir seu propósito, o ILA conta com um cotidiano institucional traduzido em atividades como:

  • atendimento individualizado, considerando as especificidades de cada usuário;
  • acompanhamento familiar sistemático, com foco no fortalecimento de vínculos;
  • desenvolvimento de atividades coletivas que estimulam convivência, socialização e habilidades socioemocionais;
  • articulação com a rede intersetorial (assistência social, saúde, educação), ampliando o acesso a políticas públicas;
  • promoção de experiências externas que rompem com a lógica de isolamento social historicamente vivenciada por pessoas com deficiência.

Participação ativa de PcD na sociedade

O ILA acredita que  a verdadeira inclusão de PcD só acontece quando há convivência, vínculo e participação ativa nos diversos espaços sociais.

“Garantir a participação ativa das pessoas com deficiência significa ir além da oferta de serviços assistenciais, assegurando condições reais para que esses indivíduos sejam sujeitos de direitos e atuem de forma protagonista em diferentes contextos sociais”, salienta Kátia.

Na prática, Kátia afirma que essa real inclusão envolve questões como: a inserção de PcD em espaços culturais, educativos e de lazer, com suporte adequado; o estímulo à autonomia nas atividades diárias e nas tomadas de decisão; a promoção de ambientes inclusivos que favoreçam a convivência entre pessoas com e sem deficiência; o desenvolvimento de habilidades sociais e comunicacionais; e o envolvimento das famílias como parte ativa do processo de inclusão.

“Essa abordagem está alinhada aos princípios da inclusão previstos na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e nas diretrizes do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).”

Imagem: Instituto Lucas Amoroso

Os projetos do Instituto Lucas Amoroso

Para materializar sua missão institucional, o ILA desenvolve uma série de projetos estruturantes. Nesse sentido, Kátia destaca as iniciativas que articulam inclusão social, cuidado integral e fortalecimento de vínculos.

Um dos projetos destaque é o  Projeto TEAcompanha. Este se configura como uma das principais estratégias institucionais do Instituto Lucas Amoroso, desenvolvido em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, com foco no atendimento integral e humanizado a crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras deficiências.

Desde o início da parceria, em novembro de 2023, foram aproximadamente 10 mil atendimentos realizados. Entre os resultados de impacto do projeto, Kátia destaca os avanços no desenvolvimento comunicacional e na interação social, assim como o fortalecimento da autonomia das crianças e adolescentes atendidos.

A assistente social também cita outros projetos como:

    • Projeto “Inclusive Nós”: voltado à ampliação do acesso a espaços culturais e de lazer;
    • Projeto “Nossas Mulheres”: iniciativa direcionada às mães e cuidadoras, com foco em autocuidado, fortalecimento emocional e desenvolvimento de habilidades;
    • Projeto “Saberes da Comunidade”: iniciativa que visa ampliar as oportunidades de desenvolvimento, convivência e inclusão social por meio da oferta de oficinas conduzidas por profissionais voluntários.
  • oficinas: música, dança, capoeira, judô, entre outras.

Participação no programa  Futuro Bem Maior 

Visando aumentar o seu impacto e driblar desafios institucionais, o Instituto Lucas Amoroso participou do programa Futuro Bem Maior. Essa iniciativa do Movimento Bem Maior (MBM) apoia organizações sociais que fazem a diferença em territórios com alta vulnerabilidade social.

As organizações e coletivos que fazem parte do Futuro Bem Maior são escolhidos por meio de editais. Os selecionados para o programa recebem apoio financeiro flexível e participam de formações e mentorias em temas, como voluntariado, gestão e captação de recursos.

Ao participar do programa, o ILA avançou em seu processo de amadurecimento institucional com a implementação de ferramentas de gestão, desenvolvidas em parceria com estudantes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) – Campus Guaratinguetá. 

Ao todo, foram criadas seis ferramentas, incluindo planilhas de acompanhamento de receitas e despesas, bem como instrumentos de monitoramento de atividades. Além disso, o Instituto manteve um alto índice de produtividade nos atendimentos ao público PcD, realizando, em média, 86 atendimentos por ciclo avaliativo.

Segundo Kátia, a participação no programa representou um marco no processo de amadurecimento institucional do ILA, especialmente nos seguintes aspectos como: profissionalização, definição de metas e objetivos, fortalecimento da identidade institucional, prestação de contas, ampliação da capacidade de articular parceiros, entre outros.

“Observa-se uma evolução significativa na capacidade do Instituto de planejar, executar e avaliar suas ações de forma estruturada e sustentável”, destaca.

Promovendo uma sociedade mais justa e inclusiva

Ao finalizar sua entrevista ao Observatório do Terceiro Setor, Kátia reforça o compromisso do Instituto Lucas Amoroso em promover uma sociedade mais inclusiva, justa e acessível, reconhecendo as pessoas com deficiência como sujeitos de direitos, com potencialidades e capacidade de protagonismo.

Além disso, ela salienta a importância da família como rede de apoio — incentivando sua participação ativa nos processos de desenvolvimento e inclusão — e reafirma que esse processo inclusivo precisa ser pensado de forma coletiva.

“Exige o engajamento da sociedade, do poder público e das organizações sociais, sendo essencial garantir oportunidades reais de participação, respeito às diferenças e valorização da diversidade.”

Esta matéria faz parte da série Força Comunitária, focada em apresentar histórias inspiradoras de organizações que atuam para transformar seus próprios territórios e mudar a vida das suas populações. Clique aqui para conferir outras matérias da série!