Obesidade infantil supera desnutrição e acende alerta para riscos cardiovasculares 

Saúde Infantil
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Programa Brasil ODS debate em novo episódio impactos da obesidade infantil na saúde pública e alerta para os efeitos vasculares precoces, agravados por desigualdade social e hábitos alimentares inadequados

Obesidade infantil supera desnutrição (Imagem: Freepik)

Por Vitória Serrão

A obesidade superou a desnutrição como forma mais predominante de má nutrição em 2025, afetando 1 em cada 10, ou 188 milhões de crianças e adolescentes em idade escolar, segundo relatório da UNICEF.

O relatório “Alimentando o Lucro: Como os Ambientes Alimentares estão Falhando com as Crianças” levou em consideração mais de 190 países e revelou que a desnutrição entre crianças de 5 a 19 anos caiu desde 2000, de quase 13% para 9,2%, enquanto as taxas de obesidade aumentaram de 3% para 9,4%.

Os números colocam em evidência que a obesidade agora supera a desnutrição em todas as regiões do mundo, exceto na África Subsaariana e no Sul da Ásia. Um dos principais efeitos da obesidade infantojuvenil são os riscos vasculares, o que reforça a urgência de estratégias de prevenção desde os primeiros anos de vida.

Em reflexão a essa realidade, o programa Brasil ODS debate o tema em seu novo episódio “Os efeitos vasculares da obesidade infantil”. Apresentado pelo jornalista e fundador do Observatório do Terceiro Setor (OTS), Joel Scala, o bate-papo está alinhado ao ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) da Agenda 2030 e se desenvolve a partir da reflexão e conexão entre alimentação, desigualdade social e saúde.

Os caminhos para uma vida saudável devem ser percorridos desde cedo

Segundo um dos entrevistados do programa, o médico pediatra e nutrólogo Mauro Fisberg, a obesidade é uma doença genético-metabólica modificada pelo meio ambiente. Isso significa que fatores inflamatórios, condições de vida, diminuição da atividade física e o aumento do consumo de alimentos inadequados podem agravar o quadro e contribuir para o desenvolvimento da doença.

Para o nutrólogo, a chamada “conglomeração genética”, ou seja, a formação de pares entre pessoas com perfis biológicos semelhantes, também contribui para o aumento gradual do excesso de peso na população, ampliando a predisposição genética ao longo das gerações.

Mauro também alerta para o fato do excesso de peso provocar alterações graves no organismo, especialmente no sistema cardiovascular, acelerando o surgimento de doenças que antes apareciam apenas na vida adulta.

“O excesso de peso está levando a um endurecimento das nossas artérias, a uma piora das condições intrínsecas da circulação. A gordura vai se instalando nas artérias e aumenta a chance de fechamento da circulação e rompimento de tecidos mais frágeis. Então vamos ter muito mais cedo aquilo que temíamos no final da vida, como AVC, inflamações e trombose. Todo esse processo é muito mais precoce e isso nos chama atenção e nos deixa com muito medo”, destaca Mauro.

A professora Maria do Carmo Franco, pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e responsável por um estudo que identificou sinais precoces de inflamação e disfunção vascular em crianças com sobrepeso e obesidade, destaca a necessidade de atenção precoce e de políticas públicas, especialmente em contextos de vulnerabilidade socioeconômica.

Segundo a pesquisadora, a obesidade infantil pode gerar impactos graves na saúde pública, já que muitas dessas crianças tendem a desenvolver doenças cardiovasculares ainda na juventude, o que aumenta a demanda por atendimento no sistema de saúde.

“Essas crianças, quando se tornarem jovens adultos, já vão apresentar doenças cardiovasculares instaladas. Se pensarmos em saúde pública, isso vai onerar muito o setor público, porque muitos jovens vão caminhar para hipertensão e doenças cardiovasculares mais sérias, com risco de infarto agudo do miocárdio e AVC. Por isso, é de extrema importância que o processo da obesidade infantil seja revertido”, afirma Maria.

Acompanhe o Brasil ODS

O Brasil ODS é uma produção audiovisual do Observatório do Terceiro Setor (OTS), apresentado por Joel Scala, com o apoio da Fapesp — Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. A iniciativa é voltada à divulgação científica e ao debate público sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU.

O programa vai ao ar às quintas-feiras no portal do OTS e às 15h na Rádio Brasil de Fato.

Clique aqui para conferir o programa completo!