Associação Brasil Parkinson expõe falhas no SUS e pede ação urgente
Impacto das ONGsA Dra. Erica Tardelli, presidente da Associação Brasil Parkinson, reforça que o Parkinson é a condição neurológica que mais cresce no mundo; nesse sentido, a doutora prevê um colapso na qualidade de vida dos idosos caso a atual inação do Estado se perpetue

A Associação Brasil Parkinson (ABP) divulgou uma carta aberta pedindo mudança de paradigma no tratamento da doença no SUS. Endereçado à sociedade e aos gestores públicos, o documento denuncia o subdiagnóstico e a visão simplificada da doença.
Segundo a ABP, muitas vezes o Parkinson é visto de modo limitado, ignorando sintomas silenciosos que surgem até uma década antes das manifestações motoras. “A ABP reforça que o Parkinson é a condição neurológica que mais cresce no mundo e que a inação do Estado hoje resultará em um colapso na qualidade de vida dos idosos e na sustentabilidade do sistema de saúde no futuro breve”, explica a presidente da entidade, Dra. Erica Tardelli.
Atualmente, o Brasil possui cerca de 500 mil diagnosticados, mas as projeções indicam um salto para mais de 1 milhão nas próximas décadas. “Não podemos mais aceitar um modelo de tratamento centrado exclusivamente na medicação, que muitas vezes falta nas prateleiras do SUS”, destaca.
Lançado em abril, mês de conscientização da Doença de Parkinson, o manifesto da ABP propõe três pilares urgentes:
- Capacitação na Atenção Primária, para reduzir o tempo entre os primeiros sinais e o diagnóstico definitivo;
- Cuidado Multiprofissional no SUS, que garanta de acesso a fisioterapia especializada, fonoaudiologia e suporte psicológico como parte da terapia padrão;
- Atualização do Protocolo de Medicamentos, para a incorporação de novas tecnologias (como o pramipexol para fases iniciais) e fim do desabastecimento crônico de drogas essenciais como a Levodopa.
Ainda, a ABP salienta que o envelhecimento da população brasileira é uma realidade demográfica. Se em 2010 apenas 10% dos brasileiros eram idosos, em 2026 esse número já atinge 15%, com projeção de 32% até 2060. Nesse sentido, a Associação alerta que, sem políticas públicas que incluam o cuidado integral, o custo social e econômico da dependência física será insustentável.
O trabalho da Associação Brasil Parkinson colabora diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030 da ONU. Sobretudo, com o ODS 3 (Saúde e bem-estar), que visa garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.
