55% dos alunos que moram em favelas estão sem estudar na pandemia

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No total, 34% não conseguem participar por falta de acesso à internet, enquanto 21% sequer estão recebendo as atividades. Dados são de um levantamento do DataFavela

Foto: Marcos Santos/USP Imagens | via Fotos Públicas (esq.) | Tomaz Silva via Agência Brasil (dir.)

Por: Mariana Lima

Um levantamento apontou que 55% dos estudantes que residem em favelas no Brasil estão sem estudar durante a pandemia.

De acordo com a pesquisa, 34% não conseguem participar das aulas devido as dificuldades para acessar à internet. Além disso, 21% não estão sequer recebendo as atividades da escola ou faculdade.

Os dados foram apresentados em uma pesquisa realizada pelo Instituto DataFavela, uma parceria entre o Instituto de Pesquisa Locomotiva e a Central Única das Favelas (Cufa).

O levantamento ouviu 3.585 alunos, universitários e pais de estudantes de comunidades de todo os país, entre os dias 9 e 10 de setembro.

O cenário apresentado na pesquisa dialoga com os dados de um relatório produzido pelo Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) sobre os impactos da Covid-19 na educação.

De acordo com a pesquisa “Educação em Pausa”, nos últimos sete meses, mais de 137 milhões de crianças e adolescentes na América Latina viram seus processos educacionais serem pausados.

Crianças e adolescente da América Latina e no Caribe já perderam, em média, quatro vezes mais dias letivos (174) em comparação com o resto do mundo.

Os dados apontam que aumentou a porcentagem de crianças e jovens que não recebem nenhuma forma de educação na região, indo de 4% para 18% nos últimos meses.

As projeções da ONU indicam que a Covid-19 pode tirar até 3 milhões de meninas e meninos a mais da escola na América Latina e no Caribe.

O relatório ainda apresenta um panorama da realidade brasileira: antes da pandemia, 4.8 milhões de estudantes viviam em casas sem acesso à internet.

Em agosto de 2020, segundo a Pnad Covid, 4 milhões de estudantes do ensino fundamental (14,4%) estavam sem acesso a nenhuma atividade escolar. A maior parte eram negros, vivendo em famílias com renda domiciliar inferior a um salário mínimo e meio.

Fonte: O Globo | UNICEF Brasil