Jovem liderou resgate de animais feridos nos incêndios do Pantanal

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De forma voluntária, Eduarda Fernandes, 20, ajudou a resgatar e cuidar de animais impactados pelos incêndios que se alastraram pelo Pantanal em 2020

Foto: Arquivo pessoal

Por: Mariana Lima

Há dois anos, Eduarda Fernandes, de 20 anos, acompanhou pela primeira vez um grupo de 20 turistas pelas matas do Pantanal sem imaginar que a floresta acabaria consumida pelo fogo.

Em julho de 2020, Eduarda viu chamas de 30 metros nas copas das árvores, perto da pousada em que trabalha, na região de Porto Jofre, localizada a 235 km de Cuiabá, no Mato Grosso.

De janeiro a novembro de 2020, 30% do Pantanal foi atingido pelos incêndios históricos que se alastraram pelo bioma ao longo do ano, o equivalente a mais de 2,1 milhões de hectares destruídos, de acordo com um estudo da ONG Instituto Centro de Vida (ICV).

Desde que viu as árvores queimarem na sua frente, Eduarda decidiu agir. Passou a trabalhar dia e noite no resgate e na alimentação dos bichos da floresta.

Ela cresceu rodeada por animais na fazenda do avô, em Rondônia. Ainda na infância, Eduarda já sabia que iria trabalhar com animais. Contudo, optou por trabalhar com a fauna e a flora para ter certeza.

Assim, ela se mudou de Cuiabá para Porto Jofre. Foi lá que descobriu a sua vocação: o turismo da vida silvestre. Como guia de turismo, Eduarda acompanha os visitantes em safáris de animais, quando os visitantes podem observar pássaros, antas e onças.

Desta forma, assim que o incêndio chegou próximo à pousada, Eduarda pediu ajuda para o Ibama e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) de Mato Grosso. Mas, na época, nada foi feito.

Sem respostas, ela decidiu chamar um grupo de pessoas para resgatar os animais. A equipe conta com 18 voluntários de diversas regiões do Brasil, como Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

O projeto funciona como um dos braços do Pantanal Relief Fund, um fundo financeiro criado virtualmente para resgatar os animais atingidos pelo incêndio.

A vaquinha virtual já atingiu mais de 78 mil dólares. O valor foi destinado a quatro grupos, entre eles, a equipe de Eduarda.

No início da ação, ela transformou a pousada em que trabalha em uma base para os voluntários dormirem e para os primeiros socorros dos animais.

O local conhecido como Reserva Ecológica do Jaguar é da família de seu noivo, que aceitou ajudar. Há espaço na pousada, pois o empreendimento não vem recebendo clientes.

Na primeira vez em que Eduarda foi para a mata com os voluntários, não reconheceu a floresta. Ela encontrou cobras, rãs e aranhas carbonizadas. Árvores imensas viraram cinzas. O calor era insuportável junto com a fumaça que turvava a visão e machucava os olhos.

Quando o fogo queima a floresta, a equipe não consegue socorrer os animais encurralados no incêndio. O grupo conta com o auxílio dos bombeiros para saber quais são as áreas seguras.

Eles resgatam diversos animais feridos como cobras, jacarés, onças-pintadas e macacos. Os bichos que mais socorrem são os quatis, lontras e antas. As equipes no Pantanal, incluindo a de Eduarda, resgataram mais de 120 animais.

Os trabalhos continuam com o grupo investindo em alimentar os animais na floresta. Os bichos sobreviventes encontram dificuldades em encontrar alimento e água.

Para aliviar a situação, os voluntários espalham frutas e legumes na rodovia Transpantaneira. Mais de uma tonelada de comida foi distribuída em 60 pontos por diversas equipes como a de Eduarda.

Os porcos do mato ganham milho, e as antas recebem abóbora. Já as lontras comem iscas de peixe. Também são fornecidos melão, laranja e cenoura.

Fonte: ECOA – UOL