B3 celebra Dia Nacional da Filantropia reunindo lideranças empresariais e referências do Investimento Social Privado

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“Esse evento é um grande convite para que líderes, empresas e cidadãos façam da filantropia um legado”, disse Gilson Finkelsztain, CEO da B3. Durante o encontro, figuras emblemáticas do terceiro setor e do investimento social privado participaram do Toque de Campainha em celebração ao Dia Nacional da Filantropia

Toque de Campainha pela Filantropia (Crédito Cauê Diniz/B3)

Por Lucas Neves

A Bolsa do Brasil (B3) reuniu lideranças empresariais, figuras do terceiro setor e referências do Investimento Social Privado em celebração ao Dia Nacional da Filantropia, nesta segunda-feira (20). O evento aconteceu em São Paulo, onde ocorriam os antigos pregões da Bovespa, e contou com um simbólico Toque de Campainha pela Filantropia.

Que seja um símbolo de união, esperança e continuidade”, comentou Ana Buchaim sobre o toque de campainha inédito. Ela é vice-presidente de Pessoas, Marketing, Comunicação, Sustentabilidade e Investimento Social na B3.

Com o propósito de promover um diálogo sobre a força da filantropia institucionalizada, o encontro evidenciou o papel do investimento social privado no desenvolvimento do país e no combate às desigualdades

“Esse evento é um grande convite para que líderes, empresas e cidadãos façam da filantropia um legado” Gilson Finkelsztain, CEO da B3.

Em fala de abertura, o CEO da B3 lembrou que a filantropia, seja corporativa, familiar ou individual, não substitui o papel do Estado, mas serve de complemento na aceleração de modelos e soluções inovadoras.

Gilson Finkelsztain, CEO da B3. (Crédito Cauê Diniz/B3)

B3 promovendo a filantropia

A B3 é a maior bolsa de valores da América Latina e a única Bolsa de Valores em operação no Brasil, com mais de 400 companhias brasileiras listadas. Ao promover este evento, a instituição financeira utiliza seu legado, história e reputação para difundir as práticas de investimento social privado e filantropia.

O nosso ecossistema é composto por milhares de empresas e nós entendemos que temos que colocar esse ecossistema para funcionar a serviço da filantropia”, comentou Fabiana Prianti, Head da B3 Social.

Ao fazer um balanço do encontro, Fabiana afirmou que saiu “realizada” e com a sensação de ter cumprido os objetivos. “Fizemos ótimas conexões, conhecemos ótimas pessoas e  iniciativas excelentes. Acho que saímos daqui com muitos outros pontos de contato, possibilidades e sinergias para chegar mais longe no que já fazemos”, salientou.

Presença de figuras emblemáticas

Entre as figuras relevantes presentes na celebração ao Dia Nacional da Filantropia estava Neca Setubal, presidente do Conselho Curador da Fundação Tide Setubal e uma das filantropas mais emblemáticas do país. Ela também discursou na abertura do encontro, abordando pontos como a evolução do cenário filantrópico brasileiro e o papel das empresas no combate às desigualdades.

Durante sua fala, ela trouxe o conceito de ESG (Ambiental, Social e Governança), posicionando-o como uma pauta fundamental no ecossistema da B3 Social. Neca disse que a parte “social” ainda sofre com carências maiores em relação à governança e ao meio ambiente. “O ‘S’ ainda é a letrinha mais frágil do ESG”.

Nesse sentido, a filantropa alertou para o cenário de desigualdades do país e reafirmou o papel das empresas, em conjunto com outros atores, em combater os problemas sociais brasileiros.

“Nós não vamos ser um país desenvolvido se não diminuirmos nossas desigualdades” — Neca Setubal

Evento de celebração do Dia Nacional da Filantropia (Crédito Cauê Diniz/B3)

Outra figura que discursou no evento foi Aron Zylberman, diretor-executivo do Instituto Cyrela. Em entrevista ao Observatório do Terceiro Setor (OTS), Zylberman destacou a importância de um evento sobre filantropia em um espaço tão simbólico para o capitalismo, mas também lembrou que o brasileiro ainda doa muito pouco.

É legal celebrar, mas é importante reconhecer que tem muito a ser feito”, disse, estimando que o número de empresas com investimentos sociais ainda é pequeno no país. 

Zylberman também atribuiu às empresas o papel de resolver as mazelas sociais, assim como o poder público e organizações da sociedade civil. “Entendo que resolver os problemas estruturais da sociedade brasileira é um papel do estado, mas ele não vai fazer isso sozinho”.

Como solução para fomentar o investimento social privado, Zylberman evidenciou a necessidade de divulgar bons exemplos. “Precisamos de mais empresas entendendo sua responsabilidade e menos egoísmo no CNPJ e CPF”.

Parceria com o GIFE e Comunitas

O evento em celebração ao Dia Nacional da Filantropia foi fruto de uma parceria da instituição financeira com a Comunitas e o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE). Patricia Loyola, diretora de gestão e investimento social da Comunitas representou a organização no encontro.

Em fala ao OTS, Patricia lembrou que, quando se trata de investimento social, saber como fazer é tão importante quanto o volume investido. Nesse sentido, ela apresentou sua percepção de que, cada vez mais, as empresas estão buscando um trabalho colaborativo.

A Comunitas é uma organização da sociedade civil especializada em construir parcerias sustentáveis entre os setores público e privado, com foco na melhoria da gestão pública e no desenvolvimento de políticas que gerem impacto duradouro para a sociedade.

Patricia compartilhou espaço com Cassio França, atual secretário-geral do GIFE, na mesa “Dados e tendências da Filantropia”. Ao OTS, Cassio exaltou a necessidade do trabalho multissetorial e das empresas compreenderem que, assim como outros setores, suas missões iniciais não são suficientes para o país. “Estarem aqui e terem essa leitura de que eles são parte de um movimento, como um todo, é muito fundamental”, comentou. 

Além disso, o representante do GIFE reconheceu a importância de um ator financeiro, como a B3, sediar um evento em prol da filantropia. Fora o apoio financeiro, Cassio disse que a Bolsa do Brasil pode ser peça fundamental contra as desigualdades do país.

“Eles têm um capital social e político muito expressivo no nosso país, então eles assumirem essa corresponsabilidade tem uma importância brutal” Cassio França.

Patricia Loyola e Cassio França na mesa “Dados e tendências da Filantropia”. (Crédito Cauê Diniz/B3)

Foco na atuação sistêmica

A programação do evento contou com a mesa “Atuação sistêmica e multissetorial do investimento privado”, com participação de Ana Buchaim (B3), Rodrigo Pipponzi (Grupo RD e Instituto ACP), Camila Valverde (Fundação ArcelorMittal) e Alexandre Thiollier (Instituto BRK).

Para Rodrigo Pipponzi, fundador e conselheiro do Instituto ACP, a principal mensagem do painel foi a ideia de que não existe filantropia sem uma colaboração multissetorial.É preciso escancarar esse tema para as empresas entenderem suas responsabilidades fora dos seus próprios muros.”

Ainda sobre o investimento social, a diretora-executiva da Fundação ArcelorMittal, Camila Valverde, deu dica para as empresas que buscam ingressar no setor. “As empresas precisam ter coragem para fazer, não achar que é um bicho de sete cabeças e muito menos ter uma visão pejorativa para filantropia, caridade ou assistencialismo”.

Ela lembrou que, além do fator mais importante — o impacto social positivo — o investimento social privado pode ajudar na reputação da companhia e no engajamento dos funcionários.