Brasil é líder no mundo em assassinatos de LGBTs, ativistas e negros

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Relatório da Anistia Internacional chama atenção para aumento da violência e dos homicídios no país

Por: Isabela Alves

Em 2017, o Brasil liderou o número de assassinatos de diversos grupos de pessoas, como jovens negros do sexo masculino, pessoas da comunidade LGBTIQ+, defensores dos direitos humanos, grupos ligados à defesa de terra e populações tradicionais e policiais, segundo um relatório da Anistia Internacional.

Somente nos nove primeiros meses de 2017, 62 defensores dos direitos humanos foram assassinados, de acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT). Entre o dia 1º de janeiro e 20 de setembro do último ano, o Grupo Gay da Bahia registrou 277 pessoas LGBTIQ+ assassinadas no país, o maior número desde o início da compilação dos dados, em 1980.

A população carcerária chegou ao recorde de 727 mil pessoas, sendo 60% negras e 40% presas preventivamente (ainda aguardam julgamento). Somente em janeiro de 2017, ocorreram rebeliões nas penitenciárias do Amazonas, Roraima, Rio Grande do Norte e Paraíba, o que resultou na morte de 123 pessoas.

Além da superlotação nas unidades prisionais, os adolescentes que estão internados no sistema socioeducativo sofrem torturas de agentes do Estado cotidianamente. Entre 2016 e setembro de 2017, foram realizadas formalmente mais de 200 denúncias de tortura. Apenas duas levaram à abertura de inquérito formal para mais investigações.

O relatório também destaca que policiais em serviço mataram 494 pessoas no estado de São Paulo até setembro, 1.035 no estado do Rio até novembro e 148 no Ceará até novembro. Em relação ao estado do Ceará, o documento chamou a atenção para a concentração de chacinas, que são homicídio múltiplos com características de execuções.

O documento também destacou o assassinato de indígenas e trabalhadores rurais em alguns estados. Entre abril e maio de 2017, ao menos 19 trabalhadores rurais foram mortos nos municípios de Colniza, no Mato Grosso e Pau D’Arco, no Pará.