Câncer de mama: especialistas alertam falta de avanços em políticas públicas

Políticas Públicas
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O câncer de mama foi tema do programa Brasil ODS, no mês de outubro; durante o programa, especialistas discutem como o país mantém índices de mortalidade semelhantes aos de uma década atrás

Câncer de mama: número de casos no Brasil continua em alta e especialistas alertam para falta de avanços em políticas públicas
Imagem: Canva

Por Sabrina Azevedo

O câncer de mama continua sendo o que mais mata mulheres no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 73.610 novos casos em 2025, número que reforça a urgência de políticas públicas mais eficazes para o diagnóstico precoce e o tratamento adequado. O programa Brasil ODS trouxe para discutir essa questão Eduardo Carvalho Pessoa, professor e Ricardo Caponero, médico.

O relatório “Controle de Câncer de Mama no Brasil: Dados e Números 2025”, do INCA, mostra que a taxa de incidência e mortalidade pelo câncer de mama permanece praticamente inalterada nos últimos dez anos.

Já o estudo “A Suplementação de Vitamina D melhora a resposta patológica completa em pacientes com Câncer de Mama submetidas à quimioterapia neoadjuvante”, conduzido pelo pesquisador Eduardo Carvalho Pessoa, revelou que 43% das pacientes que receberam vitamina D tiveram o desaparecimento completo da doença, contra 24% do grupo placebo.

Todas as participantes realizaram a chamada quimioterapia neoadjuvante, utilizada antes da cirurgia para facilitar a retirada do tumor. O resultado reforça a importância de estudos clínicos que busquem novas estratégias complementares ao tratamento tradicional.

Diagnóstico tardio e desafios estruturais

No programa Brasil ODS, os médicos Eduardo Carvalho Pessoa, professor da Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP), e Ricardo Caponero, oncologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, analisaram o cenário preocupante.

Eduardo Pessoa destacou que 30% dos casos em São Paulo são diagnosticados em estágios avançados, mesmo sendo o estado mais rico do país.

“Precisamos cuidar da saúde mental, da alimentação e incentivar a prática de atividade física. O estresse crônico e a ansiedade enfraquecem o sistema imunológico, aumentando o risco de câncer. Mas também precisamos de políticas públicas que garantam acesso a exames e tratamentos em tempo hábil”, reforçou.

Clique aqui para ouvir o programa completo!

Caponero enfatizou que as campanhas de conscientização ainda não geram impacto efetivo na redução da mortalidade.

“Iluminamos monumentos e promovemos campanhas, mas a taxa de mortalidade não muda. O rastreamento atinge menos de 40% das mulheres, precisamos chegar a 70%. Além disso, os resultados de exames demoram até três meses e o SUS não oferece acesso às drogas mais modernas”, alertou.

Políticas públicas 

Os especialistas defendem que o aumento da cobertura de rastreamento mamográfico, a agilidade nos diagnósticos e o acesso a tratamentos atualizados são essenciais para mudar o cenário. Além disso, Caponero chama atenção para outro alerta da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC):

“Nos próximos dez anos, o câncer de cólon deve ultrapassar o de mama em número de casos, e o Brasil ainda não realiza rastreamento sistemático para essa doença”.

O debate reforça que o combate ao câncer de mama vai além das campanhas simbólicas do Outubro Rosa. Segundo especialistas, é preciso investir em políticas públicas permanentes, acesso equitativo a medicamentos e diagnóstico precoce — medidas fundamentais para salvar vidas.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Além dos convidados, o Brasil ODS recebeu os colunistas Paulo AlmeidaGabriela Chabbouh e Nina Orlow, especialistas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Este programa colabora com o ODS 3 (Saúde e Bem-estar), cujo objetivo visa assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades, ODS 5 (Igualdade de Gênero), onde visa alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas, e ODS17 (Parcerias e Meios de Implementação), que fortalece os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.

Brasil ODS

O Brasil ODS é uma produção do Observatório do Terceiro Setor (OTS), apresentado por Joel Scala, que conta com o apoio da Fapesp — Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Ele vai ao ar às quintas-feiras no portal do OTS e às 16h na Rádio Brasil de Fato.