Cão de rua ganha velório e cremação em cidade de São Paulo

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O cão Black foi velado no PET Memorial, em São Bernardo do Campo, São Paulo. O pequeno animal vivia em uma ruela da cidade, tendo a comunidade como dono

Foto: Adobe Stock | Licenciado

Por: Mariana Lima

Há doze anos, em uma ruela sem saída em São Bernardo do Campo, região do ABC de São Paulo, vivia um cão que era de todos e não era de ninguém.

Ele chegou como uma bola de pelo negra para morar com uma mãe e dois filhos. Passava a maior parte do tempo preso na laje da casa. Quando conseguiu o térreo, não aceitou mais voltar para o andar de cima.

A família que o trouxe acabou se mudando do bairro, mas Black permaneceu na rua Cristóvão Jaques, que assumiu como sua. As tentativas de colocá-lo para dentro das casas foram em vão.

Black acabou ganhando uma casinha na curva da ruela e aceitava de bom grado ração, carne e biscoitinhos caninos. Comida com gordura não lhe agradava.

O cachorro considerado por toda vizinhança um “sem-raça-definida puro-sangue”, descansava em uma pequena caixão branco.

Black estava enrolado em duas mantas, uma de TNT  e outra de tecido plissado, decorado com seis flores artificias e recoberto por um véu de tule.

O velório reuniu moradores da rua que Back tomou como casa. Todos exaltavam as virtudes do falecido, entre um carinho e outro em sua orelha.

Black era capaz de reconhecer o barulho dos carros da região, e logo latia quando aparecia um estranho motorizado ou a pé.

O cachorro cobriu a infância, adolescência, juventude, meia e maior idade da vizinhança de 15 casas. Mas há dois meses vinha dando sinais de que não estava bem.

Um tumor crescia em sua barriga. O diagnóstico do veterinário foi câncer de próstata e linfoma avançado. Alguns moradores pontuam que se Black tivesse sido castrado ainda jovem, a doença poderia ter sido evitada. Mas houveram discordâncias entre os moradores.

No dia 24 de outubro, Black foi eutanasiado em uma clínica. Uma das moradoras da rua tinha um plano no PET Memorial para os seus animais, mas cedeu para que Black tivesse um funeral digno.

No final, Black foi cremado. O PET Memorial é o primeiro crematório de animais de estimação da América do Sul. O local, além cães e gatos, já cremou animais variados, como um leão.

Cada município ou estado possui uma legislação para regrara as condições de abertura e funcionamento de cemitérios de pets.

O Rio de Janeiro e a cidade de Florianópolis (SC) autorizam o enterro de animais de estimação da família em cemitérios públicos e privados, desde que a causa da morte não seja por zoonoses, por exemplo. Em São Paulo, a pratica é proibida desde 2013.

Fonte: UOL TAB