Ceia de Natal uniu inimigos da 2ª Guerra Mundial
Direitos HumanosA Alemanha nazista e os EUA lutaram em lados opostos e se tornaram inimigos durante a 2ª guerra mundial. Mas, uma ceia de Natal uniu soldados de ambos os lados, que comemoraram a data juntos em plena guerra.

Essa parece mais uma história de filmes sobre o espirito natalino de união, bondade e compaixão que atinge as pessoas nessa época do ano, mas é uma história verídica. A Segunda Guerra Mundial foi um conflito militar global que durou de 1939 a 1945 envolvendo a maioria das nações do mundo. Em estado de “guerra total”, os principais envolvidos dedicaram toda sua capacidade econômica, industrial e científica a serviço dos esforços de guerra, deixando de lado a distinção entre recursos civis e militares.
Marcado por um número significante de ataques contra civis, incluindo o Holocausto, foi a única vez em que armas nucleares foram utilizadas em combate, foi o conflito mais letal da história da humanidade, resultando entre 50 a mais de 70 milhões de mortes.
A Alemanha nazista e os Estados Unidos lutaram em lados opostos e se tornaram inimigos durante toda guerra. Herr Hubert Vincken, padeiro de profissão, havia levado a família para a floresta enquanto servia nas tropas de apoio ao Exército Alemão. Vincken acreditava que no meio da mata a família estaria segura, mas em um país em guerra, “seguro” é um termo relativo.
Na noite de 24 de dezembro de 1944, Fritz Vincken e sua mãe, Frau Elisabeth Vincken, estavam se preparando para comer sua ceia natalina – apesar de a “refeição” ser uma sopa de frango, feita com um galo magro e batatas ralas, Frau se esmerara para fazer com que o Natal de seu filho de apenas 12 anos fosse “o mais normal possível” –, quando foram interrompidos por batidas fortes na porta.
Apagaram as luzes e, cuidadosamente, olharam pela janela para ver quem estava ali no meio da noite. O “visitante” era não um, mas três soldados do Exército dos Estados Unidos. Cansados, com frio e sem roupas adequadas, além de um deles estar gravemente ferido, bateram na primeira habitação que viram – sem saber o que os aguardava.
Os Vincken colocaram os militares para dentro, mesmo sabendo o risco que corriam, pois, na Alemanha de Adolf Hitler, um civil acolher o inimigo, ainda que ferido, era crime punível com a morte – nem as crianças estavam livres da pena capital. Como Elisabeth falava francês, ela foi capaz de se comunicar com um dos soldados, que sabia um pouco do idioma, lhe explicando que eram bem-vindos.
Os rapazes se sentiram em casa, todos eram bem jovens, apenas poucos anos mais velhos que Fritz. Se sentiram como se estivessem sendo cuidados por suas mães. Quando estavam todos se sentando para a ceia, uma nova batida na porta. Mais uma surpresa, uma patrulha alemã!
Fritz abriu a porta e na sequência veio Elisabeth. Os alemães disseram que haviam se perdido de sua unidade e pediram hospedagem por uma noite. Frau Vincken disse que eram todos bem-vindos, acrescentando que ela tinha “outros convidados”. Diante do espanto dos jovens, emendou: “Esta é a noite de Natal, não haverá tiroteio por aqui. Coloquem as armas de lado e então podemos ter todos uma boa ceia”.
Apesar da desconfiança inicial, americanos e alemães concordaram em ter uma trégua em uma noite tão singular. Ao ver que um dos yankees estava ferido, um dos alemães lhe dirigiu a palavra em inglês. O rapaz era estudante de medicina antes da guerra e, ao ver a perfuração no corpo do americano, cuidou de seu ferimento, trocando os curativos ao longo do resto da noite.
A refeição, com bastante água para dar conta de todos os convidados, foi a melhor ceia que todos ali puderam ter. Na manhã seguinte, americanos e alemães trabalharam juntos para reparar a cerca dos Vincken e construir uma maca para o soldado ferido.
Antes de se despedirem, os alemães ainda falaram para os americanos evitarem Monschau, pois a Wermacht havia retomado a vila no dia anterior – a informação salvou a vida dos soldados, que conseguiram regressar sãos e salvos para as linhas aliadas.
A história que parece ter sido tirada de um filme de Natal com um final feliz aconteceu de verdade e foi contada pelo próprio Fritz, que imigrou para os EUA nos anos 1950 e narrou para a revista Reader’s Digest. Quando o periódico reeditou a história em 1995, um padre que prestava serviço voluntário em um lar de velhinhos se deu conta de que um dos pacientes lhe contara a mesma história durante uma conversa.
Fritz e Ralph, um dos soldados americanos, se reencontraram em janeiro de 1996. Em meio a toda a emoção do reencontro, Ralph disse a Fritz que sua mãe era um anjo que abençoara o Natal de todos eles.
Fonte: Aventuras na História
