Ciência brasileira ganha reconhecimento internacional em debate sobre Amazônia e mudanças climáticas

Premiação
Compartilhar

Programa Brasil ODS entrevista Paulo Artaxo e Luisa Maria Diele-Viegas, pesquisadores premiados pelo Planet Earth Award 2026 para discutir financiamento à ciência, biodiversidade e políticas públicas no enfrentamento da crise climática

Paulo Artaxo e Luisa Maria Diele-Viegas são premiados pelo Planet Earth Award 2026 (Acervo Pessoal)

Por Vitória Serrão.

Dados fornecidos pela ONU evidenciam que, desde 1800, as atividades humanas são as principais responsáveis por impulsionar as mudanças climáticas, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás. Nessa realidade, a crise climática e a perda acelerada da biodiversidade estão entre os maiores desafios científicos e sociais do século XXI. 

A última década (2011-2020) foi a mais quente já registrada. Cientistas configuram a realidade vivida como “ebulição global”, na qual as emissões continuam aumentando e, como resultado, a Terra está agora cerca de 1,1 °C mais quente do que no final do século XIX. 

Diante da crise global, a ciência evidencia que pesquisas acadêmicas e o apoio ao fomento da educação, tecnologia e inovação são atributos imprescindíveis para o enfrentamento das mudanças climáticas e proteção dos sistemas naturais.

Em reflexão sobre a importância do financiamento contínuo à ciência e da cooperação internacional para enfrentar desafios ambientais cada vez mais complexos, o programa Brasil ODS debate, em seu novo episódio “Ciência, Amazônia e Mudanças Climáticas, o reconhecimento internacional da pesquisa brasileira”. Apresentado pelo jornalista e fundador do Observatório do Terceiro Setor (OTS), Joel Scala, o bate-papo contou também com o apoio do professor Paulo Almeida, especialista em ODS e colunista do OTS.

Conheça os convidados

Para aprofundar o debate, o programa recebeu os professores e pesquisadores brasileiros que vêm se destacando no cenário internacional de pesquisa e que foram reconhecidos com o Planet Earth Award 2026, concedido pela Aliança Mundial de Cientistas, premiação que reconhece pessoas que atuam na defesa da vida na Terra, com criatividade notável ou contribuições de excelência tanto na produção científica quanto na promoção de ações e posicionamentos fundamentados em evidências.

  • Paulo Artaxo: professor titular do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e referência internacional nos estudos sobre aerossóis atmosféricos, mudanças climáticas e o papel da Amazônia no sistema climático global. Suas pesquisas ajudaram a esclarecer como a floresta tropical influencia a formação de nuvens, o ciclo hidrológico e o balanço energético do planeta, temas fundamentais para setores como agricultura, energia e gestão de recursos hídricos.
  • Luisa Maria Diele-Viegas: bióloga que desenvolve pesquisas sobre biodiversidade, mudanças globais e risco de extinção de espécies. Investigando como variações de temperatura afetam a sobrevivência de diferentes organismos e fornecendo subsídios científicos para políticas de conservação baseadas em evidências. A pesquisadora também atua na articulação internacional de redes de mulheres na ciência e na promoção da divulgação científica.

O episódio está alinhado aos ODS 13 (Ação contra a Mudança Global do Clima) e ODS 15 (Vida Terrestre) da Agenda 2030 e se desenvolve a partir da reflexão e conexão entre clima, biodiversidade e políticas públicas.

As mudanças climáticas nos impactam de diversas maneiras

Os impactos das mudanças climáticas podem ser percebidos de diversas maneiras, seja na saúde, capacidade de cultivar alimentos, habitação, segurança ou até no trabalho. Diante disso, é importante ressaltar que nem todos são impactados da mesma forma, sendo os mais vulneráveis, pessoas que vivem em pequenas nações insulares e em países em desenvolvimento.

De acordo com relatório da ONU, os 100 países menos emissores geram 3% das emissões totais, enquanto os 10 países com as maiores emissões contribuem com 68%. As desigualdades também são sentidas no apoio à pesquisa, para Paulo Artaxo que há décadas tem estudado o papel da Amazônia no sistema climático global, o Brasil possui muito potencial, mas sem políticas públicas tudo fica mais difícil.

“A maior dificuldade não está apenas no financiamento da ciência. Não se trata somente de dinheiro ou de recursos. O que o Brasil realmente precisa são políticas públicas baseadas em evidências científicas, com programas de Estado nas áreas ambiental, climática, de biodiversidade e de exploração sustentável de minerais críticos, entre outras”, comenta Paulo Artaxo.

Segundo Luisa Maria, primeira mulher brasileira reconhecida com prêmio Planet Earth e no qual as pesquisas investigam os impactos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade e o risco de extinção de espécies, é necessário, além do apoio à pesquisa, ampliar a acessibilidade do conhecimento científico para a população e principalmente fortalecer o estímulo e o respeito às mulheres no ambiente acadêmico.

“Vale destacar que a carreira acadêmica, quando analisada sob a perspectiva de gênero, ainda é mais desafiadora, pois traz consigo diversos vieses que as mulheres precisam enfrentar e combater ao longo de toda a trajetória. Por isso, ter uma representação feminina em um prêmio internacional como esse é uma vitória não apenas individual, mas de todas as mulheres cientistas do Brasil”, ressalta Luisa Maria Diele-Viegas.

Acompanhe o Brasil ODS

O Brasil ODS é uma produção audiovisual do Observatório do Terceiro Setor (OTS), apresentado por Joel Scala, com o apoio da Fapesp — Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. A iniciativa é voltada à divulgação científica e ao debate público sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU.

O programa vai ao ar às quintas-feiras no portal do OTS e às 15h na Rádio Brasil de Fato.

Clique aqui para conferir o programa!