Clima em transformação: quando o esporte também precisa se adaptar

ONGs em Ação
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Imagem: Divulgação

 

Por Wenceslau Madeira

 

O Dia de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, celebrado neste 16 de março, costuma trazer reflexões sobre o futuro do planeta, relatórios científicos e discussões globais. Mas para muita gente essa mudança já deixou de ser um tema distante. Ela está presente no cotidiano, inclusive na rotina de quem trabalha com esporte em projetos sociais.

Nos últimos anos, o calor extremo e as chuvas têm levado treinadores, educadores e equipes a reorganizar horários de treino, adaptar atividades e redobrar os cuidados com crianças e adolescentes. Aquilo que antes parecia apenas um detalhe logístico hoje exige planejamento constante.

As mudanças climáticas já estão alterando a forma como vivemos, trabalhamos e organizamos nossas rotinas. Em regiões como a Amazônia, onde a De Peito Aberto está presente, os períodos de seca e de chuva têm se mostrado cada vez mais extremos e menos previsíveis. Em alguns momentos, o calor intenso limita a realização das atividades ao ar livre. Em outros, as chuvas fortes interrompem treinos, dificultam deslocamentos e afetam a regularidade dos projetos. A alternância mais severa entre estiagem e temporais exige adaptações constantes de quem atua no território.

Diante desse cenário, começa a ganhar força uma agenda que ainda aparece pouco no debate público: a adaptação climática das atividades esportivas. Isso envolve decisões simples, mas relevantes, desde a reorganização de horários até a criação de protocolos de segurança térmica para crianças e jovens que participam de atividades físicas ao ar livre.

Também passa por investimentos em infraestrutura preparada para enfrentar temperaturas cada vez mais altas. Em muitas cidades, as soluções ainda dependem da articulação entre poder público, organizações sociais e iniciativa privada.

É nesse ponto que a discussão sobre ESG ganha uma dimensão mais concreta. Quando falamos sobre preservação ambiental, muitas vezes pensamos em grandes compromissos corporativos, relatórios de sustentabilidade ou metas de redução de carbono. Tudo isso é importante, claro. Mas a sustentabilidade também tem a ver com a capacidade de adaptar nossas práticas para proteger as pessoas e garantir a continuidade das atividades.

No esporte social, a conversa aparece de maneira muito clara. Crianças e jovens passam boa parte do tempo em atividades físicas ao ar livre, e isso exige atenção redobrada diante de temperaturas cada vez mais altas e de mudanças no regime de chuvas, que têm se tornado mais intensas e imprevisíveis. Ao mesmo tempo, esses espaços se tornam ambientes poderosos para formar consciência ambiental.

Quando falamos aos jovens sobre cuidado com o território, preservação dos espaços públicos ou atitudes sustentáveis no dia a dia, ampliamos o papel do esporte para além da prática esportiva. Ele funciona também como linguagem educativa para discutir clima, responsabilidade coletiva e futuro.

Ao mesmo tempo, essa agenda abre espaço para novas parcerias. Muitas empresas têm buscado maneiras de colocar em prática seus compromissos ESG de forma mais concreta, conectando impacto social e responsabilidade ambiental. Iniciativas esportivas em territórios vulneráveis podem contribuir no processo, ajudando a transformar espaços comunitários em ambientes mais preparados para os desafios climáticos.

A discussão sobre mudanças climáticas muitas vezes parece distante do cotidiano das pessoas. Mas basta observar uma quadra ou um campo em uma tarde de calor intenso para perceber que a realidade já está entre nós.

O esporte sempre foi uma ferramenta poderosa de educação e transformação social. Em um mundo marcado por mudanças climáticas cada vez mais visíveis, ele também nos lembra da importância de construir resiliência coletiva, cuidando das pessoas, dos espaços públicos e das condições que tornam possível o futuro das próximas gerações.

 

*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor.

 

Wenceslau Madeira

Fundador e gerente de projetos da De Peito Aberto, organização voltada ao esporte, à educação e à cultura. Gestor público formado pelo UNIBH, especialista em natação e MBA em ESG pelo IBMEC, cursa atualmente pós-graduação em Comunidades Tradicionais, Licenciamento e Governança Socioterritorial na PUC Minas.