Confira como trabalhar a diversidade cultural em sala de aula
Educação
De acordo com a Constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LBD), as Diretrizes Curriculares, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e os referenciais curriculares, o trabalho com a diversidade cultural de forma transversal e estruturante nos currículos escolares é essencial para uma formação completa, tanto no quesito acadêmico quanto social.
Para Anny Carneiro Santos, assessora pedagógica da Rede Pitágoras, o multiculturalismo deve ser tratado como um tema central na formação do cidadão, pois assegura um processo de combate aos preconceitos enraizados no país. Essa abordagem promove um movimento de respeito e empatia, favorecendo a construção de uma sociedade mais justa e democrática.
“Historicamente, o Brasil constituiu-se pelo pluralismo, seja nativo ou fruto dos processos migratórios. Conhecer a história como realmente é, compreender que nos municípios existem indígenas, ciganos, pescadores, ribeirinhos, quilombolas e outros que compõem os Povos e Comunidades Tradicionais é um ponto-chave para promover o respeito e aprender a conviver democraticamente com a diversidade brasileira”, reforça a educadora.
Diversidade na formação do docente
Para Anny, a formação completa de professores é considerada uma das principais políticas públicas para o fortalecimento da qualidade da Educação Básica no Brasil. Dessa forma, no contexto de pluralidade cultural, a capacitação continuada atua como uma política de fortalecimento das práticas pedagógicas, oferecendo subsídios teóricos e práticos para promover a autoformação do docente.
Como aplicar em diferentes áreas?
Existem diversas maneiras de trabalhar a temática em diferentes componentes curriculares. “Em qualquer etapa escolar é possível abordar a história africana e afro-brasileira, considerando que os povos africanos antigos contribuíram significativamente para o desenvolvimento e uso da matemática”, exemplifica a assessora pedagógica.
Já nas Ciências Humanas, Anny pontua que falar sobre períodos históricos do Brasil, os quais muitas vezes não são abordadas as participações dos povos indígenas, é uma boa estratégia. “Outra maneira é abordar o período de produção açucareira no Brasil Colônia, por exemplo, que frequentemente não é destacado que os primeiros escravizados foram os povos indígenas do Brasil e não os africanos, que chegaram posteriormente”, reforça.
Segundo a especialista, a partir dessa ação, o professor conseguirá abordar a temática da diversidade cultural de forma mais clara e consciente, promovendo um trabalho transversal e antirracista, para além dos componentes curriculares da área de Ciências Humanas. Isso implica reinterpretar narrativas históricas e romper com perspectivas eurocêntricas, conforme orienta a BNCC.
Outro exemplo, na área de Língua Portuguesa, é trabalhar a leitura crítica por meio das linguagens, das diferentes áreas do conhecimento e dos diversos contextos sociais, problematizando o preconceito e o racismo estrutural. Essas são alternativas para o docente para que a temática passe a ser tratada como elemento estruturante da formação humana.
