Dia Mundial da Saúde: terapia assistida por animais ajuda jovens a fortalecer saúde mental e reconstruir vínculos

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Crédito da foto: Divulgação

Iniciativa aposta na conexão com a natureza para promover saúde emocional de jovens em vulnerabilidade; ONG Natureza Conecta já impactou 150 crianças e adolescentes neste ano

Animais resgatados que um dia viveram abandono e negligência hoje cumprem um novo papel: atuam como co-terapeutas em sessões de terapia assistida por animais com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, incluindo jovens da Fundação CASA.
Esse é o trabalho da Natureza Conecta, ONG que utiliza a conexão com a natureza para apoiar a saúde mental, promover regulação emocional e fortalecer vínculos.

A iniciativa surge em um contexto desafiador. Muitos adolescentes atendidos carregam históricos marcados por traumas, ansiedade, depressão e violência. Antes mesmo de chegarem ao sistema socioeducativo, já vivenciaram abandono e insegurança alimentar, o que torna o cuidado emocional um fator central para a mudança de trajetória.

“A gente trabalha com jovens que muitas vezes nunca tiveram espaço para se expressar ou construir vínculos seguros. Quando encontram esse ambiente, mediado pelos animais, algo começa a mudar”, explica Daniela Gurgel, médica veterinária e fundadora da ONG.

Em 2025, a Natureza Conecta atendeu 150 crianças e adolescentes de cinco instituições, com a realização de 184 sessões. As atividades ocorrem tanto na fazenda da organização, em Itu (SP), quanto em unidades da Fundação CASA em Sorocaba.

Celebrado em 7 de abril, o Dia Mundial da Saúde reforça a importância do bem-estar físico, mental e social. Em um cenário em que a saúde mental ganha protagonismo, iniciativas como a da Natureza Conecta mostram, na prática, como o cuidado emocional pode contribuir para interromper ciclos de violência e exclusão.

Segundo Daniela, a terapia assistida por animais tem se mostrado uma ferramenta eficaz nesse processo. As sessões criam um ambiente seguro para autoexpressão, fortalecimento da autoestima e construção de relações de confiança. O contato com os animais estimula empatia, responsabilidade e autonomia, elementos fundamentais para reduzir a reincidência.

Um dos diferenciais da metodologia é o uso de diferentes espécies como mediadoras simbólicas no processo terapêutico. O programa é estruturado em ciclos, nos quais cada animal representa um arquétipo e contribui para o desenvolvimento emocional dos participantes, promovendo uma jornada gradual de reconstrução.

“Os pacientes percebem que é possível recomeçar, mesmo depois da dor. Muitas vezes, aqueles que um dia precisaram ser salvos se tornam agentes de cura para outros”, afirma Daniela.

Atualmente, a ONG abriga mais de 30 animais resgatados e realiza encontros semanais com os jovens, ampliando o acesso ao cuidado emocional em contextos de alta vulnerabilidade.