Do NÓS ao EU: por que a sociedade civil precisa reafirmar seu papel num mundo em retração

Direitos Humanos
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Fonte: Divulgação

 

Por Thiago Crucciti

 

Mais de 80% das pessoas confiam mais nas marcas que consomem do que em ONGs, governos ou mídia. A pesquisa Edelman Trust Barometer 2025 expõe um paradoxo do nosso tempo: enquanto marcas ganham confiança ao oferecerem conforto emocional e senso de controle, o compromisso com causas coletivas enfrenta retração. O propósito não desapareceu, ele mudou de lugar. Hoje, o indivíduo quer sentir-se amparado antes de se engajar. Mas é justamente aqui que a sociedade civil tem uma vantagem insubstituível: somos especialistas em vínculo, permanência e transformação real. Não é hora de recuar, é hora de liderar.

  1. Construa vínculos que geram pertencimento

Marcas geram conforto. ONGs geram pertencimento. O papel das organizações da sociedade civil vai além da narrativa: estamos no chão da vida, construindo histórias de transformação que nenhuma campanha consegue simular. Quando conectamos uma causa a uma pessoa, o “nós” ganha nome, rosto e sentido.

  1. Cultive confiança que atravessa gerações

As marcas são confiáveis porque entregam previsibilidade. Mas a sociedade civil organizada tem a capacidade de construir confiança que atravessa crises, governos e gerações. Onde o Estado não chega, onde o mercado desiste, nós seguimos.

  1. Transforme escuta em ação concreta

Enquanto marcas ouvem para vender melhor, ONGs ouvem para agir melhor. Somos movidos por escuta radical e empatia ativa. Essa escuta nos permite gerar impacto relevante, com soluções que nascem das comunidades e retornam para elas.

  1. Pratique o ativismo do cuidado

Mais da metade da população jovem enfrenta dificuldades financeiras graves. Nossa resposta é acolher sem julgamento, é construir caminhos e não exigir posicionamentos. Nossa atuação toca o indivíduo, sem abandonar o coletivo. Isso é potente.

  1. Mobilize o indivíduo para reconstruir o coletivo

As marcas aprenderam a falar com o indivíduo, já as ONGs são capazes de agir com ele. O futuro não será salvo por marcas com bom marketing, mas por redes humanas comprometidas, resilientes e organizadas. A sociedade civil é o coração pulsante dessa esperança.

O momento exige mais do que gestão, exige mobilização. E isso é com a gente!

 

*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor

 

Sobre o autor: Thiago Crucciti é Diretor Nacional da Visão Mundial Brasil, fundador da startup social Máquina do Bem e investidor.