Envelhecimento no Brasil é acompanhado pelo aprofundamento das desigualdades, diz estudo

Direitos Humanos
Compartilhar

Segundo o estudo “Velhices Periféricas”, os brasileiros com mais de 50 anos das classes C, D e E vivem mais, trabalham por mais tempo, sustentam famílias e economias locais, mas envelhecem com menos saúde, renda e proteção social

Imagem: Freepik

O Estudo “Velhices Periféricas”, conduzido pelo data8, aponta o descompasso do envelhecimento das classes C, D e E no Brasil. Os dados do levantamento, lançado em março deste ano, revelam que o avanço do envelhecimento populacional tem sido acompanhado pelo aprofundamento das desigualdades.

Segundo o estudo, os brasileiros com mais de 50 anos das classes C, D e E vivem mais, trabalham por mais tempo, sustentam famílias e economias locais, mas envelhecem com menos saúde, renda e proteção social. 

O “Velhices Periféricas” integra a série Brasil Prateado, dedicada a investigar as transformações demográficas associadas à longevidade e seus impactos na economia, mercado de trabalho, consumo, saúde e comportamento. 

Para traçar o panorama, o levantamento propõe uma leitura inédita da longevidade no Brasil, a partir da identificação de quatro tempos: 

  • tempo de vida (lifespan);
  • tempo vivido com saúde (healthspan);
  • tempo de permanência no trabalho (workspan);
  • tempo de autonomia financeira (moneyspan).

Leia também: Envelhecer no Brasil: desafios e caminhos para uma sociedade que valoriza seus idosos

Ao avaliar o desalinhamento entre as dimensões, o estudo ajudou a explicar as desigualdades do envelhecimento periférico, revelando por que o aumento da expectativa de vida não se traduz, necessariamente, em mais saúde, segurança econômica e proteção social.

Vale destacar que, no estudo, o termo periférico não classifica apenas moradores de favelas e comunidades. Ele também considera cidadãos que vivem nas periferias geográficas, econômicas e simbólicas do país. 

Em nota à imprensa, Adriana de Queiroz, uma das coordenadoras do levantamento, disse que, na análise, a periferia é entendida como uma condição social, marcada por menor acesso a serviços e oportunidades; menor proteção social; e maior exposição a riscos ao longo da vida do indivíduo. 

“No Brasil, ninguém envelhece do mesmo modo, e essas diferenças socioeconômicas determinam o direito (ou não) à longevidade”, afirmou. 

Cléa Klouri, uma das coordenadoras do estudo, lembrou que a análise não traça um retrato de carência, mas de centralidade invisível. “São essas populações que mantêm redes familiares funcionando, sustentam múltiplas gerações, permanecem mais tempo no mercado de trabalho e fazem o dinheiro circular, mesmo sem conseguir transformá-lo em proteção ou patrimônio”.

Apesar dessas características, Cléa destacou que essa população ainda assim envelhece com menos  segurança financeira, acesso à saúde preventiva e reconhecimento social. “A velhice periférica evidencia os principais descompassos da longevidade brasileira: vive-se mais, mas não necessariamente se vive melhor”, concluiu.

Para construir este diagnóstico, a equipe do data8 reuniu dados secundários e primários coletados em pesquisas quantitativas e qualitativas, painéis longitudinais e análises sobre comportamento, consumo, saúde, trabalho, cuidado e tecnologia entre brasileiros 50+ das classes C, D e E. 

Ainda, o data8 lembrou que o objetivo do levantamento não é descrever hábitos comportamentais, mas compreender dinâmicas de vida e da tomada de decisão em contextos de escassez, instabilidade e alta responsabilidade familiar. Para tal, o estudo conta com 12 entrevistas em profundidade, realizadas na periferia da Grande São Paulo. 

Clique aqui para conferir o estudo completo!