Esforços conjuntos de solidariedade têm mais alcance

Cultura de Doação
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Imagem: Adobe Stock

 

Por Custódio Pereira

 

Movimentos colaborativos mostram, na prática, que ninguém transforma o mundo sozinho. Quando instituições, pessoas e comunidades unem forças por uma causa maior, o impacto se amplia, os recursos são otimizados e as soluções tornam-se mais sólidas e duradouras. É justamente essa lógica que torna os esforços conjuntos de solidariedade mais eficazes do que ações isoladas. Ao atuarem em rede, as organizações conseguem somar conhecimentos e estruturas, alcançar mais pessoas e territórios – o que expande sua presença em redes estratégicas –, trocar experiências e ampliar a incidência política em defesa de causas comuns.

Além disso, iniciativas compartilhadas demonstram maturidade institucional, inspiram confiança e atraem mais atenção da sociedade, da mídia e de possíveis parceiros, resultando em novas oportunidades de financiamento. Tudo isso sem que nenhuma entidade precise competir por destaque. O protagonismo, nesses casos, surge naturalmente, por meio da coerência entre discurso e prática e do compromisso real com a transformação social. A dica de ouro é divulgar as ações realizadas, compartilhar histórias reais de transformação e evidenciar o envolvimento da equipe como formas legítimas de fortalecer a reputação institucional, mesmo quando o protagonismo está dividido entre muitos.

Colaborações que inspiram

Uma série de iniciativas nacionais e internacionais mostra o poder das ações conjuntas. Um exemplo internacional é o Giving Tuesday, um movimento que acontece logo após a Black Friday e que arrecadou mais de 3,1 bilhões de dólares em um único dia nos Estados Unidos, graças à mobilização de milhares de organizações em torno da cultura da doação. Outro exemplo é o consórcio Covax Facility, formado por instituições como a Organização Mundial da Saúde, a GAVI Alliance e a CEPI, que garantiu o acesso a vacinas contra a COVID-19 em países de baixa e média renda durante a pandemia. Também vale destacar o trabalho do The Global Fund, fundo internacional que atua no combate ao HIV, à tuberculose e à malária, e que já salvou mais de 65 milhões de vidas ao redor do mundo.

No Brasil, temos iniciativas igualmente inspiradoras. O movimento Todos pela Educação, por exemplo, reúne instituições da sociedade civil, empresas e especialistas que atuam há anos pela melhoria da educação pública. Durante a pandemia, a coalizão União Rio mostrou como a mobilização entre empresas, fundações e ONGs pode garantir assistência imediata a populações vulneráveis, com a entrega de alimentos, itens de higiene e equipamentos hospitalares.

Com base nas histórias e nos princípios de tantas iniciativas bem-sucedidas, o Filantropia na Cidade realizará, de 10 a 20 de outubro de 2025, a sua segunda edição.

Vem aí a 2ª edição do Filantropia na Cidade

O Brasil será novamente palco de uma grande mobilização social com ações concretas nas comunidades. Idealizado pelo Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas (FONIF), com apoio do Semesp e do Instituto Presbiteriano Mackenzie, o movimento celebra o Dia Nacional da Filantropia, comemorado em 20 de outubro.

Em sua primeira edição, realizada em 2024, o movimento mobilizou cerca de 1.700 voluntários e beneficiou direta e indiretamente mais de 10 mil pessoas no estado de São Paulo. Foram promovidas oficinas de geração de renda, atendimentos de saúde, atividades de recreação, ações contra a insegurança alimentar e outras iniciativas solidárias organizadas por escolas, universidades, instituições sociais e coletivos locais. Agora, a proposta é ainda mais ousada: ampliar o alcance do movimento e convidar instituições de todo o país a unirem forças em prol de um Brasil com mais oportunidades e justiça social.

O primeiro passo é acessar o site do FONIF e ler o edital e o regulamento com atenção. Em seguida, a instituição deve preencher o formulário de pré-inscrição para receber, por e-mail, todas as orientações necessárias para desenvolver seu plano de ação. Com o plano elaborado, é hora de inscrevê-lo oficialmente e aguardar a aprovação do comitê do movimento. As ações devem ser realizadas entre os dias 10 e 20 de outubro de 2025 e, ao final, os resultados devem ser compartilhados com fotos, vídeos e relatos que registrem a transformação gerada.

Um convite à transformação coletiva

Se a sua organização acredita na força da filantropia como instrumento de transformação social, esta é a hora de agir em conjunto. O Filantropia na Cidade é mais do que um evento. É um chamado à ação, um gesto de cuidado com o próximo e uma oportunidade de fortalecer vínculos, promover mudanças e viver, na prática, o verdadeiro sentido da solidariedade. Organize uma ação ou inscreva aquela que sua entidade já vem realizando. Una-se a essa rede de amor à humanidade e ajude a transformar a sua cidade e o seu país!

 

*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor.

 

Custodio Pereira

Custódio Pereira é presidente do Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas – FONIF, mestre em Administração pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e doutor pela Universidade de São Paulo. Também é professor do curso "Governança Corporativa para Instituições Sem Fins Lucrativos", promovido pela Universidade Corporativa FONIF em parceria com o IBGC e o Semesp.