Estudantes desenvolvem projetos sociais para empoderar outros jovens

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Com o objetivo de incentivar meninas em áreas como matemática e ciência, reduzir a evasão escolar ou promover o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, estudantes criam projetos sociais que impactam de forma positiva outros jovens. Conheça algumas dessas iniciativas

Alguns dos projetos sociais desenvolvidos por jovens para o Prêmio Prudential Espírito Comunitário já atenderam milhares de pessoas
Imagem ilustrativa. Foto: Adobe Stock

Por Laura Patta

Mesmo em meio aos transtornos gerados pela pandemia, em termos econômicos e de saúde física e mental, muitos jovens têm encontrado motivação para desenvolver projetos sociais.

Para reconhecer iniciativas de impacto social criadas por estudantes, a seguradora Prudential do Brasil realizou em 2021 uma nova edição do Prêmio Prudential Espírito Comunitário. Esta é a versão nacional do ‘The Prudential Spirit of Community Awards’, sediado nos Estados Unidos.

O prêmio seleciona dez projetos finalistas, que são avaliados por um júri nos critérios de impacto, inovação, desenvolvimento pessoal, inspiração e esforço. Os dois vencedores podem indicar instituições para que cada uma delas receba uma doação. A indicada pelo primeiro colocado recebe R$ 25 mil e a indicada pelo segundo colocado, R$ 10 mil.

A primeira colocada foi Luiza Brunelli Bührer, de 17 anos, moradora de São Paulo. A jovem fundou o Meninas na Ciência (MC²), curso online e gratuito de ciências e matemática para meninas do Ensino Fundamental II da rede pública. A iniciativa também realiza palestras com convidadas da área, workshops de desenvolvimento pessoal e gincanas. Em dois anos, já teve mais de 1.100 alunas de 20 estados, além de 150 voluntários de 15 estados.

O projeto ganhador da medalha de prata foi o Unidos Educação Miraí, realizado pela estudante Priscila Brito, também de 17 anos, e moradora de Minas Gerais. O projeto da estudante foi desenvolvido em parceria com a escola e com a prefeitura de sua cidade, Miraí, e tem o objetivo de alfabetizar jovens e adultos, assim como reduzir a evasão escolar.

Segundo Priscila, esses são os pilares da educação que precisavam ser abordados com urgência. “Convidei duas amigas, Istéfane Mendes e Gabriele Medeiros, para conversarmos com a equipe docente da nossa escola e entender quais eram os principais impasses causados pela pandemia que poderiam ser reversíveis”, conta a jovem. Assim, ela concebeu uma iniciativa que já atende cerca de 2 mil pessoas.

Para a Prudential, tal conquista merece, não apenas reconhecimento, mas também auxílio para que jovens estudantes ampliem seu impacto. Em 2021, além do prêmio para os dois primeiros colocados, a seguradora ofereceu uma bolsa de estudos para um curso de empreendedorismo social para os dez finalistas.

“Queremos apoiar a capacitação desses estudantes para que tenham ainda mais recursos para transformar a realidade desafiadora do nosso país por meio dos seus projetos, deixando um legado de valor à sociedade,” reflete Gabriela Al-Cici, diretora de Recursos Humanos da Prudential do Brasil.

Ela acrescenta ainda que os jovens são protagonistas de importantes mudanças, pois olham os desafios com coragem e determinação. “Eles não deixam de acreditar que pode sim existir um futuro melhor e estão sempre dispostos a trabalhar de maneira colaborativa, buscando parcerias, novas oportunidades e espaços para troca de ideias e de conhecimento”.

Segundo Gabriela, isso dá aos jovens uma capacidade enorme de abertura ao diferente e à inovação. “Por tudo isso, eles conseguem se dedicar com tanto empenho e fazer parte de projetos tão incríveis como os inscritos no Prêmio Prudential 2021”, descreve ela.

Além de terem um espírito inovador e visionário, os estudantes recebem apoio de diversas instituições para concretizar suas ideias. Priscila conta que, para a realização de seu projeto, ela contou com o apoio de sua escola e da ONG Embaixadores da Educação. “Atualmente, contamos com o apoio da gestão municipal, de algumas empresas como a MiraInox, de alguns microempreendedores como Fran Bolos e Doces, e principalmente da escola estadual Santo Antônio”.

Camila Sant’Anna foi uma das dez finalistas do prêmio, pelo projeto Lidere-se. A iniciativa é um “acampamento virtual”, um v-camp, para meninas de baixa renda, de 14 a 19 anos, com o objetivo de desenvolver habilidades socioemocionais e práticas.
Ao fim do acampamento, as participantes desenvolvem um projeto baseado nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODSs). Além disso, elas têm acesso a bolsas de estudos, mentorias, eventos e orientação psicológica do Guardiões da Educação.
Camila não fez parte da concepção do Lidere-se, mas se apaixonou quando ouviu falar do projeto. “Assim que eu soube do que se tratava, me vi fazendo parte dessa comunidade”, conta. “Acho que a minha grande motivação por trás disso era ajudar meninas a se enxergarem como líderes e a terem acesso a oportunidades que, sem o Lidere-se, elas não teriam”, conclui a estudante.
Somado ao apoio da comunidade e de iniciativas sem fins lucrativos, outro fator que permitiu que os jovens materializassem seus planos foi a tecnologia digital. Priscila descreveu a internet como um ingrediente primordial para o funcionamento do projeto. “Em decorrência da pandemia, as monitorias foram realizadas através do aplicativo Google Meet, algumas aulas do curso de Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos foram realizadas virtualmente, além de reuniões, encontros e conexões realizadas através das mídias digitais”, explica a estudante.
Enquanto isso, Camila afirma que o Lidere-se, por ter surgido em meio à pandemia, dependeu da tecnologia para crescer. “Com meninas de todo o lugar do Brasil, a internet nos permite nos conectar e, assim, criar uma rede de apoio para ajudar cada vez mais meninas,” conclui a jovem.

Os relatos das estudantes mostram o potencial do investimento nos jovens e no futuro, o valor da educação e da urgência da inclusão digital para impedir o desperdício do potencial dos jovens brasileiros.