Estudo da Aldeias Infantis SOS mostra que ações de fortalecimento familiar evitam separação de crianças em 95% dos casos
ONGs em AçãoPesquisa inédita revela estratégias eficazes para apoiar famílias vulneráveis e prevenir o acolhimento institucional de crianças e adolescentes

A Aldeias Infantis SOS, organização global que lidera o maior movimento de cuidado infantil do mundo, lançou o estudo “Prevenindo a Separação Familiar: a Experiência da Aldeias Infantis SOS”. A pesquisa inédita reúne dados, boas práticas e recomendações sobre como apoiar famílias em situação de vulnerabilidade social e evitar a separação de crianças e adolescentes de seus cuidadores.
Com base no trabalho do Núcleo SOS de Apoio às Famílias, que integra o serviço de Fortalecimento Familiar da organização, e em uma metodologia iniciada em 2020, inspirada em experiências brasileiras e internacionais, o estudo avaliou estratégias que evitaram o acolhimento institucional de cerca de 1.200 crianças e adolescentes nos últimos quatro anos. O número representa mais de 95% dos casos acompanhados, em que foi possível preservar os vínculos familiares por meio de ações como escuta qualificada, apoio psicológico, visitas domiciliares, articulação com serviços públicos e redes de apoio comunitário.
Em nota à imprensa, Michéle Mansor, gerente nacional de Desenvolvimento Programático da Aldeias Infantis SOS, o estudo comprova a eficácia do modelo de atuação desenvolvido e aplicado com exclusividade no país.
“Os dados comprovam que quando há um compromisso real com o cuidado, acompanhamento sistemático e apoio contínuo, as chances de uma criança ser afastada de sua família caem drasticamente. A atuação próxima e individualizada transforma realidades e protege direitos na sua origem”, afirma.
Desafios e alternativas
O levantamento foi realizado em 14 localidades de 10 estados brasileiros, abrangendo mais de 1.350 famílias. A pesquisa incluiu questionários com 65 profissionais da organização, oito grupos focais com 44 cuidadores, sendo 42 mulheres e dois homens, e depoimentos de representantes de órgãos como CRAS, CREAS, Conselhos Tutelares, Ministério Público e Juizado da Infância e da Juventude.
O resultado é um retrato aprofundado dos desafios enfrentados por famílias em situação de vulnerabilidade, sobretudo mulheres, e das alternativas possíveis para prevenir separações por decisão judicial. O estudo dá continuidade ao relatório “Vozes (In)escutadas e Rompimento de Vínculos”, apresentado pela instituição em 2023, e reforça a urgência de investir em políticas públicas voltadas à convivência familiar e comunitária.
Segundo o documento, muitas separações decorrem de negligência não intencional, quando há ausência de suporte adequado diante de contextos de pobreza extrema, violência ou exclusão. Entre os principais destaques estão a valorização da escuta sensível, o fortalecimento emocional dos cuidadores e a presença ativa de equipes técnicas de confiança. Em diversos relatos, famílias atendidas destacaram o papel essencial dos profissionais da Aldeias Infantis SOS, não apenas pelo auxílio material, mas por proporcionarem acolhimento e acompanhamento contínuo.
O estudo apresenta ainda propostas estratégicas para o poder público e a sociedade civil, como financiamento contínuo para ações de fortalecimento familiar, articulação entre serviços da rede de proteção (assistência, saúde, educação e justiça), garantia de acesso à educação infantil e reconhecimento da diversidade de arranjos familiares.
Alinhado à Política Nacional de Cuidados, aprovada em 2024 pelo Governo Federal, e às diretrizes da ONU sobre cuidados alternativos, o estudo reforça que proteger a infância começa pelo cuidado às famílias. O tema também dialoga com a atualização do Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária, atualmente em fase de revisão e com previsão de votação final em outubro, que prevê um eixo específico de proteção e fortalecimento dos vínculos familiares.
“Para a Aldeias Infantis SOS, garantir que nenhuma criança cresça sozinha é um compromisso coletivo que exige a corresponsabilidade de todos, isto é, Estado, sociedade e comunidade. E, desde já, devemos direcionar nossos esforços no sentido da prevenção, para evitar que mais meninas e meninos sejam afastados de suas famílias de origem por intervenção judicial, uma ação limite para o melhor interesse da criança e do adolescente”, conclui Michéle.
Sobre a Aldeias Infantis SOS
A Aldeias Infantis SOS (SOS Children’s Villages) é uma organização global, de incidência local, que atua no cuidado e proteção de crianças, adolescentes, jovens e suas famílias. A Organização lidera o maior movimento de cuidado do mundo e atua junto a meninos e meninas que perderam o cuidado parental ou estão em risco de perdê-lo, além de desenvolver ações humanitárias.
Fundada na Áustria, em 1949, está presente em mais de 130 países. No Brasil, atua há 57 anos e mantém mais de 80 projetos, em cerca de 30 localidades de Norte ao Sul do país. Ao trabalhar junto com famílias em risco de se separar e fornecer cuidados alternativos para crianças e adolescentes que perderam o cuidado parental, a Aldeias Infantis SOS luta para que nenhuma criança cresça sozinha. Para mais informações, acesse o site oficial da Aldeias Infantis SOS.
