Guia gratuito busca democratizar o uso de IA em Organizações Sociais
Cultura OrganizacionalO guia apresenta 20 formas de aplicação da IA em organizações da sociedade civil (OSCs); o foco do conteúdo são as pequenas organizações que enfrentam limitações de recursos humanos e financeiros

Novo guia gratuito busca democratizar uso de inteligência artificial (IA) em organizações sociais. O material “Uso prático da inteligência artificial no campo social: um guia (atualizado) para iniciantes” é fruto de parceria entre a Sherlock Communications, o Canal SabIAr e a Plataforma Conjunta.
Disponível para download no site do Lupa do Bem, projeto de responsabilidade da Sherlock Communications, o material gratuito apresenta 20 formas de aplicação da IA em organizações da sociedade civil (OSCs). O foco do conteúdo são as pequenas organizações que enfrentam limitações de recursos humanos e financeiros.
O guia traz orientações práticas e reflexões sobre os limites e oportunidades da IA no campo social, além de apresentar as diferentes aplicações dessa tecnologia para as OSCs. No material, é possível encontrar seções dedicadas a:
- riscos relacionados ao uso da IA;
- impactos ambientais;
- privacidade e proteção de dados;
- desigualdade no acesso;
- comparativo entre os principais chatbots;
- entre outros.
Clique aqui para baixar o material!
O uso de IA pelas OSCs
Conforme pesquisa realizada pelo CanalSabIAr, que ouviu mais de 400 organizações sociais, 70% das entidades usam inteligência artificial apenas em comunicação. Desse modo, a tecnologia é aplicada em ações como: criação de posts, textos ou imagens. Em contrapartida, menos de 10% aplicam a tecnologia em áreas estratégicas, como captação de recursos, gestão financeira ou monitoramento e avaliação de impacto.
Para Cássio Aoqui, cofundador do Canal SabIAr e autor do guia, existem três fatores que levam a essa subutilização. O primeiro deles é a restrições de recursos, já que poucas financiadoras aceitam custear assinaturas de ferramentas premium.
Em seguida, Aoqui destaca a urgência das demandas sociais, que competem com o tempo necessário para aprendizado. Por fim, o cofundador do Canal SabIAr ressalta a resistência natural a novas tecnologias, alimentada por uma visão crítica do campo em relação às desigualdades digitais.
“Quando a organização tem que escolher entre se apropriar da IA ou atender uma criança ou uma mulher vítima de violência, fica muito nítido qual vai ser a prioridade. A gente está falando de um setor que trabalha com vidas”, diz Aoqui.
Para ele, a utilização eficaz da ferramenta pode liberar tempo para as relações e o trabalho humanitário, “que no fim do dia é o que mais importa e o que mais a gente está perdendo hoje”, completa.
O guia propõe um percurso de adoção em cinco estágios, do uso pessoal, como traduções, resumos e criação de imagens simples, até o uso em rede, com participação em debates regulatórios e construção coletiva de protocolos éticos.
Entre as 20 aplicações práticas detalhadas estão elaboração de projetos para editais, análise de dados de questionários com beneficiários, criação de materiais visuais para campanhas, gestão de agenda, atendimento via chatbot, monitoramento de políticas públicas e avaliação de impacto.
Segundo Aoqui, o principal desafio é “sair do uso operacional e pensar criticamente em que medida a IA pode alavancar a missão institucional”, seja no monitoramento de dados territoriais para uma organização climática, seja em processos de escuta e tradução de saberes locais para uma ONG comunitária.
O público-alvo do guia são as pequenas organizações
O perfil das organizações mapeadas pelo Lupa do Bem reforça a urgência da iniciativa. Afinal, segundo a organização, o foco são entidades pequenas, muitas vezes geridas por uma única pessoa, sem recursos para contratar profissionais ou pagar voluntários. Entre os principais gargalos identificados estão criação de sites, produção de conteúdo para redes sociais e a estruturação de uma comunicação institucional profissional.
“Você consegue criar um site para sua organização em dez minutos ou menos com IA. Um site traz confiabilidade, atrai voluntários e potenciais doadores”, afirma Fabiana Rosa, líder de Responsabilidade Social na Sherlock Communications e cofundadora do Lupa do Bem.
O guia já havia sido lançado em uma primeira edição, desenvolvido pelo SabIAr em parceria com a Plataforma Conjunta. Nesta segunda edição, o material traz atualizações sobre novas ferramentas, além de exemplos práticos ampliados e uma linguagem mais inclusiva.
A publicação soma-se aos outros quatro manuais já produzidos pelo Lupa do Bem: Mobilização de Recursos, Como Começar uma ONG, Voluntariado nas Organizações e Comunicação para ONGs e Projetos Comunitários.
