Historiadora avalia o papel das “mulheres subversivas” contra o patriarcado
Direitos HumanosEm entrevista ao Olhar da Cidadania, a historiadora Maria Luiza Tucci analisou a ressignificação do termo “mulheres subversivas” e reafirmou a importância de continuarmos a registrar e validar trajetórias femininas que atuam como agentes de transformação social

*Por Lucas Neves
Ao longo da história, diversas mulheres foram rotuladas como “subversivas” por desafiarem normas sociais, políticas e culturais. Muitas vezes cunhado de forma pejorativa, esse termo tem sido utilizado para simbolizar a contra ameaça a autoridades ou normas estabelecidas.
Para falar sobre esse fenômeno, o Olhar da Cidadania recebeu a historiadora Maria Luiza Tucci, uma das autoras e organizadora do livro ‘Mulheres Subversivas, dentro e fora da ordem: séculos XVIII ao XX. Vols. 1 e 2.’. Essa coletânea é dedicada às histórias de mulheres de diferentes tempos e espaços, protagonistas de atitudes inspiradoras e rebeldes que ajudaram a reconstruir o mundo.
Durante a conversa com o apresentador Joel Scala, a historiadora analisou a ressignificação do termo “subversiva”, que está ligado à desordem. Segundo ela, a partir da ótica do antropólogo George Balandier, umas das bases das pesquisas para a coletânea, esse termo não necessita de um novo significado.
“Balandier nos orienta a reafirmar a desordem enquanto um elogio ao movimento e às mudanças. Nesse caso, eu fiz uma adaptação para as mudanças conquistadas pelas mulheres que tiveram espaço para explorar suas potencialidades.”
A Maria Luiza também falou a respeito dos mecanismos históricos de silenciamento das mulheres e a importância de continuarmos a registrar e validar trajetórias femininas que atuam como agentes de transformação social.
“O que eu fiz, enquanto organizadora dessa coletânea, foi convidar diversos autores para que pudessem, através das suas pesquisas, comprovar como se deu o empoderamento das mulheres ao longo do século”, comentou Maria Luiza.
Conforme a historiadora, a coletânea mostra como as mulheres conquistaram espaços, visibilidade social, reconhecimento e perturbaram a estabilidade confortável dos homens. “Essa pesquisa revelou as potencialidades femininas, as quais denunciam uma sociedade machista”.
Além disso, a entrevistada lembrou que a coletânea deu holofote a histórias de mulheres anônimas que, apesar disso, conseguiram subverter a ordem dessa sociedade patriarcal vinda desde os tempos coloniais.
“Eu sempre alerto que as fontes históricas nos dão oportunidade de mostrar que a discriminação contra mulher é um processo histórico e continuo de violencia que segue se agravando no Século XXI”, concluiu.
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Sobre o Olhar da Cidadania
O Olhar da Cidadania é um programa do Observatório do Terceiro Setor, apresentado pelo jornalista Joel Scala, contando com as colunas de Christian Dunker, psicanalista e professor titular do Instituto de Psicologia da USP e Paulo Artaxo professor titular e chefe do Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física da USP.
O programa vai ao ar todas às quintas-feiras às 13:30h, na Rádio USP (São Paulo: 93.7 FM / Ribeirão Preto: 107.9 FM). Também é possível conferir os episódios posteriormente no portal do Observatório.
