Investimento social não é paralelo ao negócio. É parte do futuro

Empresas do Bem
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Imagem: ChatGPT

 

Por Fabiana Prianti, head da B3 Social

 

O investimento social privado ganhou escala e visibilidade no Brasil nas últimas décadas. Empresas ampliaram recursos e profissionalizaram suas estruturas, ocupando um espaço cada vez mais relevante no enfrentamento de desafios sociais complexos. Ainda assim, desigualdades profundas, especialmente na educação, seguem limitando o desenvolvimento do país. O desafio não é apenas investir mais, mas investir melhor, com foco em causas estruturais e impacto de longo prazo.

O Investimento Social Corporativo deixou de ser uma agenda periférica e, cada vez mais, ele se conecta às estratégias das organizações e contribui para a geração de valor, ao mesmo tempo em que fortalece o ambiente de negócios. Essa integração, no entanto, exige cuidado. Quando o investimento social é orientado por interesses de curto prazo ou restrito à lógica reputacional, corre o risco de perder legitimidade e efetividade.

Mais importante do que declarar alinhamento ao negócio é sustentá-lo ao longo do tempo. Isso requer governança, clareza de propósito, coerência institucional e respeito ao interesse público. O estudo ‘Conexões e Fronteiras entre o Investimento Social Corporativo e os Negócios’*, divulgado recentemente pela Comunitas, aponta que o valor gerado pelo investimento social integrado ao negócio aparece na construção de reputação, no fortalecimento do diálogo com a sociedade, na mitigação de riscos e na consolidação da licença social para operar. Esses ganhos, no entanto, só se mantêm quando o impacto social vem antes.

A educação pública é um exemplo claro desse desafio. As desigualdades educacionais no Brasil começam cedo e se acumulam ao longo da trajetória escolar, afetando o aprendizado, a permanência na escola e as oportunidades futuras. Fatores como renda, território, raça e gênero ainda influenciam de forma decisiva quem conclui o Ensino Médio e quem acessa melhores condições educacionais. Sem enfrentar essas desigualdades, o país compromete sua capacidade de crescer de forma sustentável.

Investir em educação pública de qualidade não é apenas uma escolha socialmente justa. Trata-se de uma decisão estratégica para o desenvolvimento econômico, a produtividade e a resiliência do país. Economias mais inclusivas e inovadoras dependem de capital humano bem formado e de oportunidades distribuídas desde a infância. Nesse sentido, a educação é uma agenda estrutural que conecta impacto social e desenvolvimento de longo prazo.

O debate sobre o papel das empresas na sociedade evoluiu. Hoje, está claro que valor social e valor para o negócio podem caminhar juntos, desde que haja intenção, estrutura e compromisso com o futuro. O investimento social não resolve sozinho os desafios do país, mas pode contribuir de forma decisiva para reduzir desigualdades e fortalecer as bases de um desenvolvimento mais sustentável. Investimento social não é uma agenda paralela ao negócio. É parte do futuro que queremos construir para a sociedade, para as empresas e para o Brasil.

*O estudo mencionado está disponível em: https://encurtador.com.br/rQNY

 

*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor.

 

Fabiana Prianti

Atua há 20 anos no terceiro setor em ações focadas na garantia de direitos à educação pública de qualidade para todos. Atualmente, lidera a B3 Social, entidade sem fins lucrativos que gerencia os investimentos sociais privados da B3, a bolsa do Brasil. Possui especializações em ESG, gestão de projetos, inovação e liderança, além de vasta experiência na elaboração de estratégias de filantropia corporativa e programas de voluntariado.