Jovem negra e albina é aprovada em 1º lugar nas cotas em Psicologia na USP

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A estudante Ana Beatriz Ferreira, de 20 anos, ficou em primeiro lugar entre ingressantes cotistas do curso de Psicologia da USP. A jovem negra, albina e com deficiência visual mora na periferia da Zona Leste de São Paulo

Imagem: Arquivo Pessoal

Por: Isabela Alves

A estudante Ana Beatriz Ferreira, de 20 anos, mora na periferia da Zona Leste de São Paulo e é uma jovem negra, albina e com deficiência visual. 

Recentemente, ela foi aprovada em primeiro lugar no curso de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). Ana estudou durante o ensino médio e fundamental na rede pública e também teve de lidar com a descoberta da própria identidade racial.

Ana nasceu com albinismo, uma anomalia congênita marcada pela ausência total ou parcial da pigmentação da pele, dos pelos e dos olhos. A mãe da jovem, empregada doméstica, é negra, e o pai, eletricista aposentado, é branco.

Durante a adolescência, ela foi descobrindo mais sobre a sua identidade. Com a ajuda do irmão e de seus colegas da escola, ela começou a ter discussões políticas, conheceu conceitos do feminismo negro e passou a aceitar a sua negritude. 

É válido ressaltar que apesar do albinismo tirar a melanina, existem pessoas albinas que são negras, brancas ou amarelas.

Depois disso, ela se inscreveu no Sistema de Seleção Unificada (SISU) para Psicologia na USP e ingressou na modalidade de cotas para pretos, pardos e indígenas que frequentam a rede pública.

Meses antes de fazer o Enem, Ana entrou em um cursinho popular idealizado para jovens de baixa renda e passou a fazer bicos como modelo para uma agência.  Com o apoio do cursinho ‘MedEnsina’, conseguiu uma bolsa integral na faculdade Poliedro.

No final do ano passado, Ana prestou Fuvest e Enem, para tentar uma vaga na USP. Não foi aprovada na Fuvest, mas conquistou o primeiro lugar em psicologia em uma das modalidades de cotas.

Fonte: Razões Para Acreditar